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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

“Temos a sensação de que ninguém está nos escutando e que nossos filhos são descartáveis”, diz mãe atípica

Massa carcerária poderá ser usada para confecção de fraldas para idosos e crianças, aponta TJMS

Michelly Perez - 14/03/2025 • 09:25

Foto: ALEMS

A Comissão Temporária de Representação criada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul se reuniu pela segunda vez com as mães atípicas. No encontro realizado ontem (13), elas mais uma vez, reivindicaram uma solução definitiva para a entrega dos insumos.

“Temos a sensação de que ninguém está nos escutando e que nossos filhos são descartáveis. Eu nunca presenciei tanto velórios de crianças como agora e não quero mais ir porque são situações totalmente evitáveis. Se continuar assim o futuro do meu filho é estar fazendo hemodiálise”, disse Mônica Ilis, integrante do colegiado das Mães Atípicas.

Ela garante que a luta pelo direito garantido judicialmente para as crianças se arrasta há mais de dois anos e meio e que as judicializações são demoradas. “O processo vai para prefeitura e a procuradora jurídica pede prazo maior e então isso acaba demorando os nossos processos. Essa demora pode alcançar até sessenta dias e você imagina uma criança que precisa de fralda, do leite e de suplementos, como que fica essa situação complicada?”, indagou.

O deputado estadual Pedrossian Neto (PSD), presidente do grupo de trabalho, confirmou que a comissão tenta encontrar um caminho para prosseguir com as demandas das mães atípicas por meio do núcleo de conciliação do Poder Judiciário. “Essas mães estão entrando na justiça para ter o tratamento adequado que os seus filhos merecem e que está preconizado na constituição brasileira. Infelizmente, o município de Campo Grande tem falhado no atendimento a essas mães que procuraram a Assembleia Legislativa buscando algum tipo de apoio para que pudéssemos olhar as diversas instituições e criar uma solução”, explicou.

Alternativas

Coordenador do Núcleo de Apoio Técnico ao Judiciário (NATJus) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o desembargador Nélio Stábile explicou como é possível o órgão ajudar nesta questão e citou a possiblidade do Poder Judiciário fazer uma negociação com Campo Grande e o Estado de Mato Grosso do Sul para produção de fraldas destinadas aos idosos e crianças que necessitam. Essa ação seria produzida pela massa carcerária.

“Esse programa já existe com reformas de escolas e outras produções, mas dependemos do município e do estado para fornecer o insumo porque a mão de obra é responsabilidade do Judiciário. Há maquinas que podem ser adquiridas dentro das possibilidades e isso ainda está em andamento, pois estamos conversando para tentar essa produção”, informou.

Tags: Insumos, Mães atípicas, Prefeitura de Campo Grande,