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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

UFMS homenageia Vanessa Ricarte enquanto falta de perícia trava julgamento de assassino

No mesmo dia em que "Banco Vermelho" foi inaugurado no campus, Justiça adiou interrogatório do réu

Michelly Perez - 10/03/2026 • 09:07

Foto: divulgação

A segunda-feira (9) foi marcada por um contraste doloroso para a memória da jornalista Vanessa Ricarte em Campo Grande. Enquanto a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) inaugurava um marco contra o feminicídio em sua homenagem, o processo judicial contra seu assassino sofria um novo revés devido a falhas técnicas.

O interrogatório de Caio Cesar Nascimento Pereira, réu confesso pelo crime, deveria ter ocorrido ontem (9), mas foi cancelado. A justiça não pôde ouvir o acusado devido à ausência da perícia técnica nos aparelhos celulares.

O motivo teria sido a extração de dados do WhatsApp é considerada peça-chave. A acusação sustenta que Vanessa era monitorada por cyberstalking (perseguição digital) e que o réu expôs imagens íntimas da vítima antes de matá-la.

Sem o relatório oficial das mensagens, o juiz Carlos Alberto Garcete adiou a oitiva para evitar nulidades no processo e garantir a plenitude das provas.

“Sentar e Refletir, Levantar e Agir”

No campus da UFMS, o clima era de reverência. O Banco Vermelho, instalado na Pró-Reitoria de Cidadania e Sustentabilidade (Procids), simboliza a luta de 70 instituições federais contra a violência de gênero.

Formada em 2005, Vanessa teve sua trajetória de 20 anos no jornalismo exaltada por colegas e familiares. O vice-reitor Albert Schiaveto reforçou que o combate ao feminicídio exige uma mudança de postura urgente dos homens.

“É uma responsabilidade que precisa ser assumida por nós”, afirmou.

A universidade aproveitou o ato para destacar o programa Sou Mulher UFMS e informou que, em 2024, mais de 52% dos projetos da instituição foram liderados por mulheres. Durante todo o mês de março, o Monumento Símbolo da UFMS permanecerá iluminado de vermelho, em sinal de alerta e luto.

O Brasil é o 5º país no ranking mundial de feminicídios. Uma mulher é assassinada a cada seis horas no país — uma realidade que Vanessa tentou interromper ao procurar a delegacia horas antes de ser morta, em fevereiro de 2025.

Tags: Banco Vermelho, Caios Nascimento, Vanessa Ricarte,