Foto: Divulgação SES
Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Canetas emagrecedoras, anabolizantes e substâncias sem registro na Anvisa estão entre os mais de 20 mil produtos retirados de circulação em apenas quatro meses
Michelly Perez - 18/06/2026 • 10:19
Foto: Divulgação SES
Uma operação inédita da Vigilância Sanitária Estadual vai retirar definitivamente de circulação cerca de uma tonelada de medicamentos e produtos irregulares apreendidos em Mato Grosso do Sul. A destruição do material, marcada para esta quinta-feira (19), em Dourados, é considerada um marco no combate ao mercado clandestino de medicamentos e produtos para emagrecimento.
Entre os itens que serão incinerados estão canetas emagrecedoras, medicamentos análogos de GLP-1, peptídeos utilizados para fins estéticos e esteroides anabolizantes de origem estrangeira, todos sem comprovação de procedência e sem registro ou regularização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os produtos foram apreendidos em operações permanentes realizadas pela Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual em centros de distribuição dos Correios e transportadoras. Desde fevereiro, mais de 20 mil itens irregulares já foram retirados de circulação, em um volume avaliado em mais de R$ 15 milhões.
Segundo o gerente da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, o volume das apreensões é considerado sem precedentes.
“Em apenas quatro meses de operação, alcançamos um volume de apreensões sem precedentes. Do ponto de vista da Vigilância Sanitária, trata-se de uma iniciativa inédita no Brasil, resultado de um trabalho permanente de fiscalização e proteção da saúde pública”, afirmou.
A operação contará com escolta da Polícia Rodoviária Federal durante o transporte do material até a empresa licenciada responsável pela destruição.

De acordo com a Vigilância Sanitária, muitos dos produtos apreendidos eram comercializados em redes sociais, aplicativos de mensagens e marketplaces, sem qualquer garantia de origem, armazenamento adequado ou controle sanitário.
As fiscalizações identificaram medicamentos pirateados, substâncias sem registro e produtos vendidos por pessoas sem autorização legal para comercialização. Grande parte do material entrou no país pela região de fronteira.
Entre os produtos apreendidos estão medicamentos que exigem prescrição e acompanhamento médico. Segundo especialistas, o uso indiscriminado e sem controle pode causar danos graves ao organismo.
“Muitas pessoas observam apenas o resultado imediato, que geralmente é o emagrecimento. Mas não sabem quais serão os efeitos a médio e longo prazo. Estamos falando de produtos que podem causar alterações importantes no organismo e que, muitas vezes, sequer têm sua composição conhecida”, alertou Matheus Pirolo.
A Vigilância Sanitária reforça que o problema não está nos medicamentos em si, mas no uso sem orientação médica e na compra por canais irregulares.
Além de garantir a destinação ambientalmente adequada dos produtos apreendidos, a incineração busca mostrar à população que medicamentos retirados em operações de fiscalização não retornam ao mercado, fortalecendo a segurança dos consumidores e o combate ao comércio ilegal.
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