Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Estrutura simples dentro de um galpão tem uma história notável por trás do processo artesanal
Da redação - 22/10/2023 • 06:00
Erva-mate/Ricardo Campos Jr. – Agraer
Uma estrutura simples dentro de um galpão no assentamento Itamarati, em Ponta Porã, tem uma história notável por trás do processo artesanal de erva-mate, conhecido como cancheio, que envolve a secagem e moagem das folhas para a preparação de bebidas como tereré e chimarrão. Há cinco anos, José Rodrigues abandonou sua criação de galinhas e fez uma aposta na bebida que é considerada patrimônio imaterial de Mato Grosso do Sul. No entanto, a venda de ovos desempenhou um papel crucial no financiamento dessa pequena agroindústria, que ele orgulhosamente ergueu sem recorrer a empréstimos.
A jornada em direção à realização desse sonho começou há 12 anos, quando o agricultor familiar começou a cultivar erva-mate. “Naquela época, algumas pessoas sugeriram o cultivo de amora para a criação de bicho-da-seda. Isso virou uma moda entre os vizinhos, mas eu decidi fazer as contas: o rendimento por hectare com a erva-mate seria cerca de R$ 300 a mais, e eu não precisaria mais dedicar meus domingos a essa atividade”, lembra ele.
José enfatiza que a árvore de erva-mate é nativa da região e requer poucos cuidados. Ele se orgulha de não usar nenhum veneno e de não levar uma vida que ele descreve como “louca”, permitindo-se aproveitar os prazeres da vida, ao invés de trabalhar em tempo integral.
Inicialmente, sem capacidade de fazer o cancheio da erva-mate, ele vendia sua produção para empresas do setor, que ficavam encarregadas de colher as folhas e transportá-las para serem processadas em outro local.
O tempo passou, e José viu em um presente de frangos uma oportunidade que faltava para montar sua própria agroindústria. Ele brinca que a venda de ovos trouxe tanto desafios quanto recursos para o projeto. “Produtos de origem animal têm muitas regulamentações e uma fiscalização rigorosa. As autoridades estavam sempre em cima”, comenta.
Assim que o último tijolo foi colocado no galpão, o agricultor familiar se desfez dos animais e começou a produzir erva-mate para tereré. A qualidade artesanal se tornou um diferencial de marketing que transformou a erva em sua principal fonte de renda, embora ele ainda a combine com a agricultura.
“Se somarmos, estimo que tenha investido cerca de R$ 40 mil até agora. Sempre tive o desejo de cultivar erva-mate. É um negócio lucrativo. Cheguei a produzir 400 quilos em uma semana. Além disso, a produção vegetal é menos complicada em termos de regulamentações”, explica o pequeno produtor.
Desafios à vista
No entanto, a produção de José está temporariamente parada, pois ele procura um novo funcionário para trabalhar no cancheio. O trabalhador anterior faleceu recentemente, tornando a busca por mão de obra um desafio.
“Tenho notado uma falta de disposição para trabalhar. Não é necessário ter conhecimento, porque eu mesmo posso ensinar. Por enquanto, estou vendendo novamente para empresas especializadas, que vêm aqui para colher, mas espero em breve retomar minha produção”, conclui ele.”