Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Entidades propõem início da semeadura em 1º de setembro e readequação do vazio sanitário sem alterar os 90 dias de controle fitossanitário
Michelly Perez - 09/06/2026 • 09:35
Foto: divulgação
A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) e o Sistema Famasul encaminharam à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) uma proposta para revisar o calendário fitossanitário da soja no Estado. A principal mudança sugerida é antecipar o início da semeadura para 1º de setembro, mantendo o encerramento em 15 de dezembro.
Para preservar os critérios de segurança fitossanitária, as entidades também propõem a alteração do período do vazio sanitário, que passaria de 1º de junho a 31 de agosto. A medida mantém os 90 dias sem plantas vivas de soja no campo, considerados essenciais para o controle de pragas e doenças.
Atualmente, o vazio sanitário ocorre entre 15 de junho e 15 de setembro, enquanto a janela oficial de plantio se estende de 16 de setembro a 31 de dezembro.
Segundo o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, a proposta foi construída com base em estudos técnicos e busca atender às demandas do setor produtivo sem comprometer a sanidade das lavouras.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, a agricultura passou por transformações importantes nas últimas décadas, com cultivares mais precoces e maior nível de tecnificação, o que justifica a atualização da legislação.
A entidade também argumenta que a antecipação do plantio pode favorecer o planejamento da segunda safra de milho. De acordo com o vice-presidente da Aprosoja/MS, Andre Dobashi, o encerramento da semeadura em 15 de dezembro possibilita posicionar melhor a cultura dentro de uma janela climática mais adequada, reduzindo riscos e aumentando a eficiência operacional.
Outro ponto defendido pelas entidades é a uniformização do calendário em todas as regiões do Estado. Segundo os representantes do setor, a medida reduziria a formação das chamadas “pontes verdes”, que favorecem a sobrevivência e a migração de pragas entre diferentes áreas produtoras.
A proposta conta com pareceres favoráveis da Embrapa Agropecuária Oeste, da Fundação MS e da Fundação Chapadão. As instituições avaliam que a manutenção do vazio sanitário por 90 dias e do limite de plantio até meados de dezembro mantém os riscos fitossanitários sob controle.
Os estudos também apontam benefícios para o manejo da ferrugem-asiática e para o controle de plantas voluntárias. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que eventuais mudanças no calendário não substituem as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), cabendo a cada produtor avaliar fatores como solo, umidade e condições climáticas antes da semeadura.
Além da discussão em Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS participará nas próximas semanas de reuniões técnicas em âmbito nacional sobre zoneamento agrícola, produtividade e os impactos da antecipação do plantio.
Representantes da entidade estarão em Londrina (PR), na Embrapa Soja, e também devem participar de encontros da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja e de agendas com o Ministério da Agricultura, em Brasília.
Segundo Andre Dobashi, as discussões buscam alinhar produtividade, sustentabilidade e segurança para os produtores rurais.
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