Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Previsão aponta chuvas com distribuição irregular e temperaturas acima da média
Michelly Perez - 11/04/2026 • 07:00
Foto: Aprosoja MS
Alô produtores! Mato Grosso do Sul projeta uma produção superior a 11 milhões de toneladas de milho na segunda safra 2025/2026, consolidando como uma das principais apostas do agronegócio estadual. No entanto, o cenário vem acompanhado de mudanças importantes na ocupação das áreas agrícolas e de desafios climáticos.
De acordo com estimativas do setor, as lavouras de milho devem ocupar cerca de 46% da área anteriormente destinada à soja no Estado — uma redução significativa frente aos 75% já registrados em safras passadas. A mudança reflete uma estratégia mais cautelosa diante das condições climáticas e dos riscos associados à segunda safra.
Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, o direcionamento das lavouras já demonstra essa adaptação.
“O milho tem se destinado às áreas com menor risco climático, enquanto as demais devem ser ocupadas com sorgo, milheto, pastagem e outras culturas alternativas”, explica.
O clima, aliás, será o principal fator de atenção para a safra 2025/2026. Entre os meses de maio e julho, período crucial para o desenvolvimento das lavouras e início da colheita, a previsão indica um cenário de variabilidade climática em Mato Grosso do Sul.
Conforme o monitoramento do Cemtec/Semadesc, a tendência é de chuvas com distribuição irregular e temperaturas ligeiramente acima da média histórica. Tradicionalmente, o volume de precipitação nesse período já é reduzido, variando entre 100 e 300 milímetros na maior parte do Estado. Neste ciclo, no entanto, a irregularidade das chuvas pode impactar diretamente o potencial produtivo do milho, especialmente se ocorrer durante fases críticas do desenvolvimento da cultura.
Outro ponto de atenção é a previsão de um inverno com dias mais quentes do que o habitual. A tendência é reforçada pela probabilidade de 61% de formação do fenômeno El Niño ao longo do trimestre. Embora ainda em fase inicial, o fenômeno já acende o alerta para a possibilidade de ondas de calor mais frequentes no segundo semestre.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do monitoramento constante das condições meteorológicas. O acompanhamento regionalizado será essencial para orientar decisões estratégicas no campo, permitindo ajustes no manejo e reduzindo riscos.
Mesmo com os desafios climáticos, a expectativa de uma safra robusta mantém o otimismo no setor. A adoção de práticas mais eficientes e o uso de informações atualizadas serão determinantes para garantir a produtividade e a sustentabilidade da segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul.
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