Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Projeto que liga Brasil ao Pacífico é apontado como peça-chave para fortalecer o agronegócio e impulsionar o desenvolvimento
Michelly Perez - 19/06/2026 • 08:42
Foto: Ana Cristina
Mais do que uma nova estrada para o comércio internacional, o Corredor Bioceânico é visto como uma ponte para o futuro de Mato Grosso do Sul. A rota, que ligará o Brasil aos portos do Oceano Pacífico por meio do Paraguai, Argentina e Chile, foi apresentada nesta quinta-feira (18) como uma das principais apostas para ampliar a presença do Estado no mercado global e fortalecer a competitividade do agronegócio.
O tema foi destaque durante o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizado em Campo Grande, onde representantes do setor produtivo e autoridades discutem os desafios e oportunidades da produção de alimentos e energia diante da crescente demanda mundial.
Ao apresentar os avanços do projeto, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, afirmou que o Corredor Bioceânico representa uma transformação que vai além da infraestrutura.
“Estamos construindo uma nova plataforma de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul, capaz de reduzir custos logísticos, ampliar mercados e criar oportunidades para toda a cadeia produtiva”, destacou.
Um dos marcos mais importantes para tornar essa ligação uma realidade é a Ponte Binacional entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai. A estrutura é considerada essencial para conectar os países e garantir o acesso terrestre aos portos do Pacífico, encurtando o caminho para mercados asiáticos.
Na prática, a expectativa é que a nova rota torne mais eficiente o escoamento de produtos como soja, milho, carne bovina e itens industrializados, aumentando a competitividade dos produtores sul-mato-grossenses no exterior.
Mas os impactos não devem se limitar ao campo. Cidades estratégicas como Porto Murtinho, Dourados e Campo Grande podem sentir os reflexos da nova dinâmica econômica, com atração de investimentos, expansão da infraestrutura logística, valorização imobiliária e geração de empregos.
Além disso, a rota também abre perspectivas para o turismo, especialmente em regiões como o Pantanal e o Cerrado, que poderão ganhar maior visibilidade e acesso.
O projeto ganha ainda mais relevância em um momento em que a Ásia se consolida como principal destino das exportações de Mato Grosso do Sul. A China continua liderando as compras de produtos do Estado, especialmente celulose e carne bovina, enquanto os países do bloco ASEAN surgem como mercados em expansão.
Apesar do potencial, a consolidação do Corredor Bioceânico ainda exige superar desafios. Entre eles estão a harmonização das legislações aduaneiras, acordos fitossanitários, integração dos sistemas de transporte entre os países envolvidos e a qualificação de mão de obra para atender às novas demandas logísticas.
Com mais de cinco milhões de hectares de pastagens degradadas transformadas em áreas produtivas e a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2030, Mato Grosso do Sul aposta na rota como um dos caminhos para consolidar sua posição como hub logístico e exportador da América do Sul.
Se antes o Estado era conhecido apenas pela força do campo, agora quer se tornar também uma porta de entrada para o mundo.
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