Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Sem lugar para guardar a colheita, produtores são obrigados a vender soja e milho mais baratos e amargam prejuízos
Michelly Perez - 10/02/2026 • 10:09
Foto: Envato
A falta de armazéns para grãos em Mato Grosso do Sul está pesando — e muito — no bolso do produtor rural. Um estudo da Aprosoja/MS mostra que o déficit de armazenagem provocou uma perda estimada de R$ 6,1 bilhões na safra 2024/2025, principalmente com a venda antecipada de soja e milho a preços mais baixos.
Do total, R$ 4,7 bilhões correspondem à soja e R$ 1,4 bilhão ao milho. Segundo o levantamento, sem espaço suficiente para estocar a produção, muitos produtores são obrigados a vender os grãos logo após a colheita, período em que a oferta é maior e os preços caem.
Na safra analisada, a produção de soja e milho no Estado somou 24,26 milhões de toneladas, enquanto a capacidade de armazenagem chega a apenas 16,39 milhões. Pelo padrão recomendado pela FAO, o ideal seria armazenar o equivalente a 120% da produção anual. Hoje, o déficit chega a 12,72 milhões de toneladas, o que representa quase 44% abaixo do necessário.
Os municípios com maiores perdas foram Maracaju, Ponta Porã, Sidrolândia, Dourados e São Gabriel do Oeste, que juntos concentram mais de R$ 2,1 bilhões em prejuízos. Maracaju, maior produtor do Estado, responde sozinho por mais de 11% das perdas totais.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, a falta de silos compromete diretamente o planejamento financeiro das propriedades.
“Sem armazenagem, o produtor perde poder de negociação, flexibilidade para vender no melhor momento e acaba recebendo menos pela produção”, afirma.
Apesar de Mato Grosso do Sul quase ter dobrado sua capacidade de armazenagem nos últimos anos, a entidade alerta que o crescimento ainda ocorre de forma atrasada, sempre correndo atrás do aumento da produção. Além de reduzir a renda no campo, o problema também afeta transporte, comércio local e arrecadação dos municípios.
Diante do cenário, a Aprosoja/MS defende a ampliação de políticas públicas, linhas de crédito e incentivos fiscais para estimular a construção de silos, especialmente nas regiões com maior déficit.