Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
O prejuízo é repassado para a conta de luz de todos os consumidores
Michelly Perez - 05/09/2025 • 10:34
Foto: reprodução-internet
O furto de energia elétrica, popularmente conhecido como “gato”, causou um prejuízo de R$ 10,3 bilhões ao Brasil em 2024, de acordo com um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse custo, que recai sobre o bolso de todos os consumidores regulares, se concentra principalmente no mercado de baixa tensão, que abrange residências, pequenos comércios e indústrias.
O problema vai além do impacto financeiro. As ligações irregulares e fraudes, que atingiram 16,02% do mercado de baixa tensão em 2024, sobrecarregam o sistema elétrico e comprometem a qualidade do serviço. De acordo com a Aneel, o roubo de energia foi responsável por 88.870 interrupções no fornecimento em 2024, com uma duração média de 8,64 horas cada.
O custo humano é ainda mais grave. Segundo um levantamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), em 2024, acidentes relacionados a furtos e ligações clandestinas resultaram em 45 mortes e 69 feridos, expondo a população a riscos sérios de segurança.
A Abradee detalha a complexidade de combater essa prática, considerada crime, em seu estudo “Furto de energia: Perdas não técnicas”. As concessionárias de grande porte, responsáveis pela gestão dos níveis de perdas, têm buscado inovar com o uso de tecnologia, como inteligência artificial, para identificar e coibir os furtos.
Para o presidente da Abradee, Marcos Madureira, a responsabilidade é coletiva: “Mais do que prejuízo financeiro, as ligações clandestinas colocam vidas em risco, sobrecarregam o sistema elétrico e penalizam o consumidor regular com tarifas mais altas. Furto de energia no Brasil é equivalente ao total gerado pela usina de Tucuruí, no Tocantins, a segunda maior do país”.
A associação e suas distribuidoras atuam ativamente no combate ao furto com iniciativas como a Campanha Nacional de Segurança, que foca na prevenção de acidentes e na conscientização da população. (com Agência Brasil)