Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Gabinete itinerante vira vitrine na Expogrande e gestão estadual reforça aliança com setor produtivo
Michelly Perez - 17/04/2026 • 08:30
Foto: SAul Scharamm
Em meio ao ambiente de negócios e articulações da 86ª Expogrande, em Campo Grande, o Governo de Mato Grosso do Sul transformou o chamado “gabinete itinerante” em palco estratégico para ouvir demandas do setor produtivo — e, ao mesmo tempo, apresentar resultados e sinalizar novos investimentos.
Logo nas primeiras horas da quinta-feira (16), o governador Eduardo Riedel se reuniu com representantes de 13 entidades do agronegócio no estande da Famasul. O encontro consolidou uma prática cada vez mais frequente: levar o centro das decisões para dentro de eventos estratégicos do setor.
Na mesa, além de demandas históricas do agro sul-mato-grossense, foram formalizados protocolos de intenções envolvendo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e de Educação (SED), além da Famasul e Funar (Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural).
O setor produtivo entregou ao governo um documento consolidado com propostas e prioridades, reforçando o peso político e econômico do agronegócio nas decisões estaduais. A sinalização foi clara: manter o Estado competitivo passa, necessariamente, por atender às pautas do campo.

“São propostas muito alinhadas com aquilo que a gente pensa”, afirmou Riedel, em um discurso que evidencia a sintonia entre governo e setor — e também levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre diferentes áreas da economia.
Entre os anúncios, um dos mais simbólicos foi a proposta de criação de um centro educacional no Pantanal, com oferta de ensino gratuito. A iniciativa prevê investimento da Funar em uma estrutura voltada à permanência de famílias na região, apostando na educação como ferramenta de fixação no território.
A proposta vai além da sala de aula: carrega o discurso de preservação cultural e fortalecimento da identidade pantaneira, ao mesmo tempo em que tenta responder a um desafio histórico de acesso à educação em áreas remotas.
Outro eixo apresentado aposta no uso de tecnologia para resolver entraves antigos. Um novo projeto pretende utilizar inteligência artificial para agilizar a regularização fundiária em áreas de fronteira — um processo que hoje pode levar anos.
A meta é ambiciosa: reduzir para poucos meses a análise de cerca de 10 mil títulos, por meio de ferramentas de leitura automatizada de documentos, reconhecimento de texto e validação de assinaturas.
Na prática, o governo tenta transformar burocracia em eficiência, embora o desafio de implementação ainda seja um ponto de atenção.
Encerrando a agenda, a Aprosoja/MS apresentou dados atualizados da safra. Até o início de abril, o Estado já havia colhido cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja, com a região sul liderando os trabalhos e praticamente finalizando a colheita.
O preço médio da saca foi registrado em R$ 110,23, reforçando o peso econômico do grão — e, consequentemente, a centralidade do agronegócio nas decisões políticas e estratégicas do Estado.
Ao levar o governo para dentro da Expogrande, a gestão estadual reforça uma estratégia de proximidade com o setor produtivo. Ao mesmo tempo, evidencia o protagonismo do agronegócio na definição de políticas públicas — um movimento que impulsiona a economia, mas também exige equilíbrio diante de outras demandas sociais.
Entre anúncios, parcerias e promessas de inovação, o recado é direto: o agro segue no centro das decisões — e o governo, cada vez mais, dentro dele.
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