Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Presidente da associação afirma que exigências internacionais não podem se transformar em barreiras comerciais e destaca avanços do Brasil em sanidade, rastreabilidade e sustentabilidade.
Michelly Perez - 14/05/2026 • 10:07
Foto: reprodução Acrissul
A possibilidade de novas restrições da União Europeia à importação de carne brasileira acendeu o alerta no setor pecuário. Em nota oficial, a Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS) afirmou receber com preocupação o anúncio europeu e defendeu que o tema seja tratado com “responsabilidade técnica, equilíbrio e seriedade”.
O posicionamento foi assinado pelo presidente da entidade, Paulo Matos, que destacou os avanços da pecuária brasileira nas últimas décadas e reforçou que o Brasil possui um dos maiores sistemas de produção de proteína animal do mundo.
Segundo a associação, o setor evoluiu significativamente em genética, sanidade animal, produtividade, sustentabilidade e rastreabilidade, atendendo atualmente mercados considerados altamente exigentes em diferentes continentes.
A Nelore-MS também afirmou defender o avanço dos mecanismos de rastreabilidade do rebanho brasileiro, entendendo que a transparência e o controle sanitário serão cada vez mais determinantes no mercado internacional.
Apesar disso, a entidade argumenta que a implantação de sistemas amplos de rastreabilidade exige participação do poder público e políticas que permitam ao produtor rural absorver os custos sem perder competitividade.
“Não é possível transferir toda essa responsabilidade exclusivamente para quem produz”, destacou a nota.
O texto ainda ressalta que o Brasil possui um dos maiores programas de sanidade animal do mundo, resultado de investimentos em vigilância epidemiológica, controle sanitário e aperfeiçoamento dos protocolos produtivos.
Ao comentar as exigências internacionais, a associação afirmou respeitar o direito de cada país estabelecer regras sanitárias próprias, mas alertou que algumas medidas acabam ultrapassando critérios técnicos e funcionando como barreiras comerciais ao agronegócio brasileiro.
Para a Nelore-MS, a competitividade da carne brasileira incomoda mercados com custos de produção mais elevados.
“A carne brasileira é uma das mais competitivas do mundo porque o produtor rural brasileiro produz com eficiência, tecnologia e capacidade de escala”, afirmou a entidade.
A associação também lembrou que, embora a União Europeia tenha relevância para exportações de cortes premium, ela não representa o principal destino da carne brasileira no mercado internacional.
Na avaliação da entidade, o produtor rural brasileiro tem sido injustamente tratado como “vilão ambiental ou sanitário”, apesar da importância econômica do agronegócio para o país.
“O agro gera empregos, movimenta a indústria, impulsiona o comércio, fomenta investimentos em máquinas, veículos e tecnologia, além de fortalecer centenas de municípios brasileiros”, ressaltou o documento.
Ao final da nota, a Nelore-MS reafirma apoio ao aperfeiçoamento contínuo dos protocolos sanitários e da rastreabilidade, mas defende respeito à soberania produtiva nacional e ao produtor rural brasileiro.
“O mundo precisa de alimentos, e o Brasil continuará sendo protagonista nessa missão”, conclui o presidente Paulo Matos.
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