Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Sérgio Longen afirma que mudanças na escala e na carga horária podem elevar custos, pressionar preços e reduzir a competitividade da indústria
Michelly Perez - 09/06/2026 • 09:38
Foto: divulgação-FIEMS
O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, manifestou-se contra as propostas em discussão no Congresso Nacional que preveem a redução da jornada de trabalho. Em entrevista ao programa Noticidade, da rádio FM Cidade 97, ontem (8), o dirigente defendeu maior flexibilização nas relações trabalhistas e afirmou que alterações na carga horária podem gerar impactos econômicos para empresas e consumidores.
Segundo Longen, propostas que reduzem a jornada semanal de 44 para 40 ou até 36 horas representam aumento de custos para o setor produtivo e podem provocar reflexos no consumo e nos preços.
“Isso é custo. Não tem como você hoje não ser impactado, porque impede o consumo, aumenta os preços. Isso traz uma preocupação para todos nós”, afirmou.
Para o presidente da Fiems, o debate deve ser conduzido com responsabilidade e sem medidas que restrinjam modelos de contratação. Ele criticou a possibilidade de tornar regras mais rígidas por meio de mudanças constitucionais e questionou a viabilidade de reduzir a jornada mantendo a mesma remuneração.
“Infelizmente, no Estado, nós temos inúmeras pessoas dos benefícios sociais que não têm interesse em perder o benefício e não querem trabalhar”, declarou.
Durante a entrevista, Longen também afirmou que empresas enfrentam dificuldades para preencher postos de trabalho. De acordo com ele, algumas indústrias operam com déficit de aproximadamente 10% na força de trabalho. O dirigente atribuiu parte desse cenário à influência dos programas sociais sobre a oferta de mão de obra.
Ao abordar o crescimento da indústria em Mato Grosso do Sul, Longen destacou os investimentos realizados pelo Sistema Fiems, por meio do Sesi e do Senai, na qualificação profissional em municípios que recebem grandes empreendimentos industriais.
Ele citou iniciativas em Bataguassu e Ribas do Rio Pardo, onde foram ampliadas as estruturas de ensino para atender à demanda gerada pelas obras ligadas ao setor de celulose. Segundo o presidente da federação, a indústria oferece salários superiores à média de outros segmentos e o Senai disponibiliza mais de 200 cursos de capacitação, muitos deles gratuitos.
Longen também comentou os desafios de infraestrutura decorrentes da expansão econômica do Estado. Apesar das dificuldades, ele afirmou que Mato Grosso do Sul reúne condições favoráveis para atrair novos investimentos, citando fatores como segurança energética, qualificação da mão de obra e agilidade no licenciamento ambiental.
Em relação ao cenário econômico nacional, o presidente da Fiems avaliou que as perspectivas para o setor industrial sul-mato-grossense seguem positivas, mas demonstrou preocupação com os juros elevados, o endividamento das famílias e o aumento do déficit público.
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