Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Condições climáticas adversas, como calor excessivo e chuvas irregulares, têm prejudicado as lavouras no Centro-Oeste
Da redação - 14/02/2024 • 11:00
Soja/Marcello Camargo/Agência Brasil
O início de 2024 traz preocupações para o setor da produção de soja no Brasil, especialmente no Centro-Oeste, principal região produtora do país. Condições climáticas adversas, como calor excessivo e chuvas irregulares, têm prejudicado significativamente as lavouras durante as fases de plantio e desenvolvimento.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento, as perdas na produção em comparação com a safra anterior foram expressivas sendo 11% no Centro-Oeste, 8% no Sudeste, 7% no Nordeste e 5% no Norte. A única região que registrou aumento no potencial produtivo foi o Sul, com um incremento de 20%.
Inicialmente projetada em 162 milhões de toneladas, a expectativa de colheita no país foi revisada para baixo, estimando-se agora 149,4 milhões de toneladas. Essa revisão representa uma queda de 3,4% em relação ao volume obtido no ciclo anterior (2022/23).
O advogado Evandro Grili, especialista em Direito Ambiental e Sustentabilidade, destaca o impacto dos fatores climáticos nesses resultados. Ele aponta o El Niño como um dos principais responsáveis, enfatizando que suas temperaturas elevadas alteraram significativamente os padrões de chuva.
Além disso, Grili ressalta a crescente importância das questões jurídicas, com o mundo exigindo cada vez mais rigor ambiental na produção agrícola.
Apesar de os efeitos mais intensos do El Niño começarem a diminuir a partir de fevereiro, o fenômeno pode continuar influenciando o clima até junho. Além disso, há previsão de La Niña para o segundo semestre, o que pode trazer mais chuvas para as regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) recomenda cautela aos produtores, sugerindo que evitem fechar negócios nos próximos meses e não antecipem compras. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil destaca as dificuldades enfrentadas no Mato Grosso, maior estado produtor de soja, onde problemas no plantio e falta de chuvas resultaram em perdas de produtividade, agravadas pela queda nos preços.