Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Remessa enviada ao Banco Global de Sementes de Svalbard reforça a proteção da biodiversidade e a segurança alimentar
Michelly Perez - 15/06/2026 • 12:11
Foto: Embrapa – Svalbard
A biodiversidade agrícola brasileira acaba de ganhar mais uma camada de proteção internacional. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou na Noruega uma nova remessa de sementes ao Banco Global de Sementes de Svalbard, considerado a maior reserva de segurança agrícola do mundo.
O lote reúne 24 acessos de espécies estratégicas para a agricultura, entre elas caju, fava, amendoim, mamona e gergelim. Com o novo envio, o número de amostras brasileiras armazenadas no chamado “cofre do fim do mundo” chega a 8.149.
Localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, dentro do Círculo Polar Ártico, o banco foi criado para preservar a diversidade genética das culturas agrícolas e garantir a recuperação de espécies em caso de guerras, desastres naturais, mudanças climáticas extremas ou surtos de pragas e doenças.
Atualmente, a estrutura abriga cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies provenientes de 223 países e territórios. O local funciona como uma espécie de seguro global para a produção de alimentos no planeta.
Segundo Silvia Massruhá, a participação brasileira na iniciativa representa um compromisso com as futuras gerações.
“Essa ação reforça o papel da ciência na preservação dos recursos genéticos e na construção de uma agricultura mais resiliente, sustentável e preparada para enfrentar os desafios climáticos”, destacou.
A Embrapa representa o Brasil no banco de Svalbard desde 2012. Entre as culturas com maior número de amostras armazenadas estão arroz, milho e feijão, alimentos essenciais para a segurança alimentar mundial.
De acordo com o pesquisador Juliano Pádua, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a presença dessas culturas atende a critérios estabelecidos pelo banco global e reflete a importância desses alimentos para a população brasileira e mundial.
Além dos grãos, o acervo brasileiro inclui forrageiras, frutíferas, hortaliças, espécies florestais, soja e trigo, formando um patrimônio genético estratégico para o futuro da agricultura.
Enquanto parte das sementes brasileiras está protegida no Ártico, a principal reserva genética do país permanece em Brasília. A Embrapa mantém o maior banco de sementes da América Latina e um dos maiores do mundo, com quase 126 mil amostras de 1.213 espécies.
As sementes são armazenadas a 18 graus negativos em câmaras frias capazes de preservar sua viabilidade por décadas ou até séculos. A estrutura possui capacidade para guardar até 600 mil amostras e poderá chegar a 900 mil nos próximos anos.
O acervo integra uma ampla estratégia de conservação que inclui também recursos genéticos animais e coleções de microrganismos utilizados em pesquisas voltadas à produção sustentável de alimentos, bioinsumos e novas tecnologias para o agronegócio.
Durante a agenda na Noruega, Silvia Massruhá também participou de reuniões com autoridades governamentais, instituições científicas e centros de pesquisa para ampliar a cooperação internacional em áreas como bioeconomia, segurança alimentar, mudanças climáticas, conservação de solos, bioinsumos e aquicultura.
Um dos principais resultados da missão foi a assinatura de uma carta de intenções entre a Embrapa e o Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO), abrindo caminho para projetos conjuntos em inovação agrícola, sustentabilidade e uso eficiente dos recursos naturais.
A agenda reforça o papel da Embrapa como protagonista global na busca por soluções científicas capazes de garantir a produção de alimentos em um cenário de crescentes desafios ambientais e climáticos.(com informações Embrapa)