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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

No pace do amor: casais que compartilham o amor e a paixão pelo esporte

Filhos dividem rotina de treinos e especialista destaca a importância da corrida para o convívio social

Michelly Perez - 12/06/2025 • 08:47

Foto: divulgação

O Dia dos Namorados, comemorado dia 12 de junho, revela uma nova tendência que tem sido observada, nos últimos anos, quando se trata de formação de casais. Cada vez mais populares entre pessoas na faixa dos 30 anos, grupos e clubes de corrida estão se transformando em um dos lugares preferidos para os solteiros encontrarem alguém para “correr junto” não só nas provas, mas na vida.

De acordo com a pesquisa Year in Sport, realizada por um dos maiores aplicativos do segmento de corrida, 66% dos usuários afirmam ter interesse em conhecer novas pessoas dentro dessa comunidade. Em contrapartida, apenas 18% dos usuários manifestaram preferência por conhecer novas pessoas em festas e bares.

Esse foi justamente o caso do casal Dolores Luiz, 48, e Julio Cesar Neves de Oliveira, 47. Eles já faziam parte do mesmo grupo de corrida, mas não se conheciam, até irem participar juntos de uma prova em Ponta Porã, em 2022. A partir daí, os gostos e valores em comum os levaram para o altar sem demora.

“Com um mês de namoro ele me pediu em casamento, com três meses nos casamos e estamos juntos até hoje, com a graça de Deus. Unidos pela corrida, nos conhecemos pela corrida e seguimos juntos na corrida”, conta Dolores. Em três anos, eles estimam já terem feito mais de 15 provas juntos.

Corrida encurtou distâncias

A corrida foi também o que uniu Rosalia Azambuja, 35, e Rafael Augusto Lima, 33, que vão comemorar o primeiro Dia dos Namorados juntos neste ano, após nove meses de um namoro que cruzou fronteiras e superou distâncias. Eles se conheceram em uma prova na Serra da Bodoquena, ela de Campo Grande e ele de Cuiabá, separados por cerca de 700 km.

Rosalia diz que até tentou resistir, porque não queria namorar a distância, mas o amor falou mais alto. Entre idas e vindas, eles se encontravam – e treinavam e participavam juntos de provas de corrida, lá e cá.

“Todas as vezes que a gente se encontrou, por todos os lugares que a gente passou, nós corremos juntos. Todos os nossos encontros tinham corrida no meio, a corrida promoveu nosso encontro e nos uniu”, comenta Rosalia. E o próximo desafio já está lançado: eles vão participar juntos, dia 6 de julho, da Maratona de Campo Grande, ele nos 21 km e ela nos 10 km.

Combustível da paixão

E pode ser a corrida o combustível para transformar uma amizade em amor, como foi o caso de Priscilla Maruyama dos Reis, 40, e Gabriel Maruyama dos Reis, 32. Apaixonados por corrida e moradores do mesmo condomínio, eles se encontraram pela primeira vez justamente quando Priscilla retornava de uma corrida.

“Combinamos uma corrida juntos… e nunca mais nos desgrudamos”, conta ela. “Durante alguns meses, ele foi meu parceiro de treino diário. E como acontece com tantas boas histórias, a amizade logo se transformou em amor”, completa. Hoje, ela diz que eles são “uma família que corre junto – literalmente!”, pois os três filhos participam da rotina de treino e já são apaixonados pela corrida – até a caçulinha, de apenas 2 anos, que desde os 5 meses já acompanhava os treinos de dentro do carrinho.

“A corrida nos uniu, nos fortalece nos dias bons e ruins e nos ensina disciplina, resiliência e parceria. Ela também é um exemplo vivo para os nossos filhos. Cada passo que damos é também por eles, sempre pensando no bom exemplo”, resume Priscilla. Eles já participaram duas vezes da Maratona de Campo Grande, e neste ano farão juntos a primeira meia maratona – “mais um desafio que vamos enfrentar lado a lado”, finaliza a empresária.

Rivais na corrida parceiros no amor

E se no meio da corrida existe uma certa rivalidade saudável entre os grupos de corrida, existem também relacionamentos a la Romeu e Julieta, como o de Edivânia Rodrigues, 37, e Raul Gabriel Mariani, 22, membros de grupos de corrida diferentes que se apaixonaram.

Ele, de Aquidauana, a viu pela primeira vez em uma prova de corrida e diz que foi amor à primeira vista. Depois de várias provas observando a amada a distância, o primeiro “xaveco”, na primeira mensagem trocada entre eles, também envolveu corrida: “Quando que eu vou ter que viajar para Campo Grande para a gente fazer um treino juntos?”. “Achei bem ousado e corajoso da parte dele”, conta Edivânia, entre risos. Mas a ousadia deu certo, e o casal vai comemorar na próxima semana o primeiro Dia dos Namorados juntos. “Achei muito legal a possibilidade de estar com alguém que gosta das mesmas coisas que eu”, afirma.

As brincadeiras por serem de grupos diferentes, segundo Edivânia, são frequentes dos dois lados. “Quando começamos a namorar, foi maior zoação, e aí o pessoal falou que só podia depois do aval da minha treinadora, fizeram ele fazer um pedido, pra que ela autorizasse”, diverte-se a corredora. Rivalidades superadas, ele vai correr 42 km pela primeira vez na Maratona de Campo Grande, um marco na vida de todo corredor – e ela, se recuperando de lesão, vai estar na torcida. “O que eu acho mais gostoso de dividir a experiência da prática desse esporte é poder celebrar a conquista da chegada. Acho muito empolgante receber o outro quando ele atravessa o pórtico, é um símbolo!”, define.

União

E quando a corrida não foi o que uniu o casal, mas re-uniu? Foi o caso de Ana Carolina Sartori de Carvalho e Rafael Miranda de Carvalho, 41 anos. Rafael já corre há 11 anos, e Ana Carolina começou há um ano e meio, incentivada pelo marido, para superar a pré-diabetes. Desde então, foram 18 quilos perdidos, saúde conquistada e o casal ainda mais unido.

“Nós sempre fomos muito parceiros, mas com toda a certeza a corrida foi algo que trouxe um renovo ao relacionamento, uma ligação mais forte e uma parceria significante”, conta Ana Carolina. Atualmente, a família toda corre junta, inclusive os filhos de 14 e 10 anos. Na Maratona de Campo Grande, Rafael vai correr 42 km, Ana 10 km, a filha Manuela 5 km e o filho Benjamin a prova kids. “Ganhamos, com a corrida, qualidade de vida. É um momento de divertimento, de espairecer, de conexão”, define Ana Carolina.

Fortalecimento de vínculos

E como se explica esse movimento de união pela corrida? Para o psicólogo e professor universitário Thiago de Brito Ribeiro, “o ato de correr, além de ser responsável por liberar hormônios importantes para as sensações de prazer e bem-estar, também pode contribuir para a socialização”.

“A prática de atividades físicas possui um potencial significativo para a promoção da qualidade de vida e do bem-estar dos indivíduos, não sendo diferente nos aspectos específicos sobre a saúde mental. Estar em um grupo de corrida envolve fatores individuais e grupais relacionados a processos de desenvolvimento identitários, pertencimento de grupo e socialização, e observa-se que os encontros para praticar atividades físicas podem contribuir para o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários”, resume o profissional.

Tags: Casais, esporte, União,