Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Iniciativa atende mais de 150 alunos que lutam pelo sonho de serem profissionais
Michelly Perez - 06/08/2024 • 06:00
Em meio ao início das Olimpíadas e das Paraolimpíadas em Paris, do outro lado do continente, em Mato Grosso do Sul, existem muitas trajetórias inspiradoras, de jovens que se dedicam ao esporte e lutam diariamente pela transformação de suas vidas.
Em 2005 surgiu o projeto Sprint Social – Paratletismo & Atletismo de Inclusão que oferece treinamento para crianças e adolescentes. O projeto que recebeu em um primeiro momento o nome “Seninha Atletismo”, por causa do fundador, Daniel Sena, professor de educação física há dezenove anos, hoje é a esperança de 150 atletas.
“Depois do trabalho de iniciação ao atletismo, conquistamos o apoio de um patrocinador importante, do setor de Loteamentos, e a gente pensou em levá-los para disputar campeonatos nacionais. Mas pelas regras da Confederação Brasileira de Atletismo e do Comitê Paralímpico Brasileiro, o atleta precisa ser filiado a um clube. Criamos, então, o Sprint Social”, detalhou Sena.

Paratletas recebem capacitação e treinamento/ Foto: Divulgação
A primeira atleta revela através do projeto, foi a velocista Rayane Amaral quem integrou a seleção brasileira. “A gente fica muito orgulhoso em ver como ela cresceu, saiu daqui do Sprint Social, que na época tinha poucos recursos e foi brilhar em um grande clube em São Paulo: o Pinheiros” relata o treinador, que conta outras histórias vitoriosas como os paratletas Davi Wilker e Gabriela Mendonça.
“Eles foram criados aqui conosco e foram campeões brasileiros, campeões sul-americanos, campeões mundiais escolares na época, na França e depois na Inglaterra. E com isso despertou o interesse de grandes clubes de São Paulo. O Davi foi para o Centro de Treinamento Paralímpico, e lá ele ingressou num clube chamado Naurú de São Paulo, está até hoje lá, vive do esporte. Logo depois foi a vez da Gabriela, que também foi para São Paulo, mas para o Sesi e depois para o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro onde conseguiu importante marca, que na época classificava para a paraolimpíada de Tóquio, mas infelizmente ela precisou se reclassificar e trocou de categoria, o que impediu a Gabriela de ir para Tóquio e foi um momento muito difícil para ela. Mas logo depois ela retornou para Campo Grande e no retorno, voltou para o Sprint Social e ficou conosco aqui mais de um ano e voltou para o Sesi. Ela foi convocada para os Jogos de Paris, para as Paralimpíadas agora”, fala Sena com entusiasmo.

Exercícios são essenciais para garantir bons resultados/ Foto: Divulgação
Recentemente, quatro atletas foram pra Londrina-PR, pois receberam uma proposta, da UEL- Universidade Estadual de Londrina. Eles têm bolsa de estudo pela prefeitura e pela equipe da cidade. A velocista Isabel Teixeira, a saltadora Aryana Soares, a decatleta Júlia Lima e arremessador e lançador Gabriel Afonso, todos atletas convencionais.
Outro aluno que saiu do Sprint Social para alçar novos voos, foi o Denner Turaça, que é paratleta de baixa visão da classe T13, que é a classe mais alta do visual, velocista também, corredor de 100 metros e saltador, ele faz a prova de salto em distância. Hoje, ele tem a melhor marca do Brasil e a melhor marca sul-americana, e recebeu o convite do clube de São Paulo, Naurú.
O Sprint Social conta com mais profissionais, como a professora Maria Ângela Lopes da Silva, atual presidente do projeto. “Eu trabalhava junto com o professor Sena, esse projeto foi um sonho e estou nele desde o início. É uma grande responsabilidade, porque sabemos do impacto positivo que tem na vida desses jovens, pois incentivamos o compromisso e o profissionalismo. Sem contar que muitos ex-alunos nossos, hoje já trabalham conosco como o técnico Douglas”.

Esporte é arma de transformação/ Foto: Divulgação
“Usávamos cabo de vassoura para treinar os dardos”
Douglas Vieira de Amorim foi aluno da professora Ângela e do professor Sena e está no projeto desde o início como técnico. “É importante passar esse legado, temos alguns alunos que já fazem faculdade de Educação Física e pretendem voltar ao Sprint Social como técnicos. A evolução é muito grande, começamos pequenos, sem equipamentos adequados, usávamos cabo de vassoura para treinar os dardos. Hoje temos equipamentos oficiais, é gratificante ver isso”, fala com entusiasmo. Ele conta que alguns paratletas que estão em Paris, já foram alunos do Sprint Social, sem contar a nova geração que está chegando e já apresenta ótimos resultados.
E desde 2019, o Sprint Social também conta com o técnico Carlos Igino Nogueira, que fala emocionado sobre o trabalho do projeto. “É maravilhoso ver a evolução deles, engrandece o nosso coração, porque o esporte transforma tudo ao redor e sempre gostei de trabalhar com a base e nos tornamos uma família”.
O Sprint Social Paratletismo & Atletismo de Inclusão tem o patrocínio da Plan Loteamentos e apoio da Fundesporte. Conheça mais através das redes sociais @sprintsocial_ms
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