Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Aviso do Ministério: 34 casos indicam que "esquecimento" da vacina virou convite ao perigo
Michelly Perez - 15/10/2025 • 10:36
Foto: reprodução
O Brasil está sob alerta contra o sarampo. O Ministério da Saúde corre para evitar que o vírus, que já estava quase “fora de circulação”, volte a se estabelecer no país. Até a Semana Epidemiológica 38, foram 34 casos confirmados este ano.
O susto vem de fora. Desses casos, nove foram “importados” por brasileiros que voltaram de viagens. Outros 22 tiveram contato com esses viajantes. O sarampo está entrando no país de forma sorrateira. Até o momento, três estados já estão oficialmente em surto: Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
A situação mais delicada começou no Tocantins, em Campos Lindos, ligada ao retorno de quatro brasileiros da Bolívia. A comunidade, com baixa vacinação, foi o “prato cheio” para a rápida transmissão.
O sarampo pegou carona até o Maranhão, na cidade vizinha de Carolina. Já em Mato Grosso, o surto em Primavera do Leste, também importado da Bolívia, atingiu três pessoas da mesma família. Em comum? Ninguém estava vacinado.
Para Isabella Ballalai, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), a raiz do problema é clara: a falta de cobertura vacinal.
“Antes, o sarampo entrava e encontrava todo mundo vacinado. Agora, ele chega e encontra várias pessoas suscetíveis,” explica a especialista. O vírus está encontrando um “território livre” para se espalhar.
Em 2025, o Brasil viu a cobertura da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) cair para 91,2% na primeira dose, ficando abaixo da meta de 95%.
A dimensão do Brasil agrava o cenário. O problema não está só na média, mas na falta de homogeneidade. “As coberturas estão no limite, na meta. Mas, em razão do nosso tamanho, as realidades são muito diferentes nos municípios,” alerta Isabella. Enquanto uma capital tem bom índice, o interior pode estar “no vermelho”.
A especialista aponta o principal obstáculo: a falta de percepção de risco da população. Se o sarampo não está na primeira página do jornal com imagens de filas e mortes, a maioria não se importa.
“A ciência do comportamento mostra que, se você não vê risco, ‘eu não ligo’,” diz Isabella. A lição da febre amarela, que só mobilizou as pessoas com o aumento de mortes e a formação de longas filas, serve de “espelho” para o que pode acontecer.