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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Caso Orelha: Polícia conclui investigação com pedido de internação de apenas um adolescente e gera onda de críticas

Em vídeo, delegado detalha o uso de software francês e análise de mil horas de imagens para cercar o suspeito

Michelly Perez - 04/02/2026 • 07:50

Foto: PCSC

A Polícia Civil de Santa Catarina anunciou, na noite de ontem (3), a conclusão das investigações sobre o Caso Orelha, que comoveu e chocou o Brasil no início do ano. O resultado, no entanto, foi recebido com ceticismo e críticas por parte da população e de defensores dos direitos animais.

 

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Embora oito adolescentes tenham sido investigados, a força-tarefa indiciou apenas um jovem como autor do ataque fatal ao cão Orelha, levantando questionamentos sobre a atuação policial e a possível impunidade de outros envolvidos.

O Crime e a Investigação

O cão comunitário Orelha foi brutalmente atacado na madrugada de 4 de janeiro, na Praia Brava, Norte da Ilha. Segundo laudos da Polícia Científica, o animal sofreu um trauma craniano severo causado por um objeto rígido ou um chute. Orelha morreu no dia seguinte em uma clínica veterinária.

Para solucionar o caso, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de filmagens e utilizou um software francês de geolocalização. O adolescente apontado como autor tentou criar um álibi, alegando que estava na piscina de um condomínio no momento do crime, mas imagens de segurança desmentiram o depoimento, registrando sua saída às 5h25 e o retorno às 5h58, acompanhado de uma amiga.

Fuga e Provas Ocultadas

A investigação revelou detalhes cinematográficos: o suspeito viajou para o exterior no mesmo dia em que a polícia identificou o grupo de suspeitos. Ele foi interceptado no aeroporto ao retornar ao Brasil em 29 de janeiro. Na ocasião, familiares tentaram esconder peças de roupa (um boné rosa e um moletom) que apareciam nas imagens do crime, chegando a mentir sobre a origem das peças.

Surpresa e Críticas à Conclusão

O ponto central da polêmica:

  • Caso Orelha (morte): Apenas um adolescente teve o pedido de internação solicitado — medida equivalente à prisão para adultos.

  • Coação: Três adultos foram indiciados por tentar coagir testemunhas.

A decisão de concentrar a autoria do crime fatal em apenas um indivíduo, apesar da presença de outros jovens no local e da tentativa de ocultação de provas pela família, gerou uma forte reação negativa nas redes sociais. Críticos argumentam que a conclusão da polícia “suaviza” a participação dos demais envolvidos em um ato de extrema violência coletiva.

O inquérito agora segue para o Ministério Público e o Judiciário. A Polícia Civil afirma que a análise de dados dos celulares apreendidos ainda pode trazer novos desdobramentos, mas, por ora, a sensação de muitos é de que a resposta institucional ficou aquém da gravidade e da crueldade do caso.

Tags: investigação, Orelha, policia,