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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Diferença salarial entre mulheres e homens caiu, aponta pesquisa

Dados mais marcantes do estudo é a constatação de que as mulheres apresentam maior escolaridade em relação aos homens

Da redação - 05/03/2024 • 13:00

Diferença salarial/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo recente divulgado pela Confederação Nacional da Indústria revelou avanços significativos na paridade salarial entre homens e mulheres no Brasil ao longo da última década. Os dados, provenientes do levantamento “Mulheres no Mercado de Trabalho”, realizado com base em microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para uma redução na disparidade salarial entre os gêneros.

De acordo com o estudo, o índice que mede a paridade salarial subiu de 72 em 2013 para 78,7 em 2023, em uma escala de 0 a 100, onde quanto mais próximo de 100, maior a equidade entre mulheres e homens. Além disso, a participação feminina em cargos de liderança cresceu de 35,7% para 39,1% no mesmo período, e o índice de empregabilidade das mulheres registrou um aumento de 6,4%, passando de 62,6% para 66,6%.

Um dos dados mais marcantes do estudo é a constatação de que as mulheres apresentam maior escolaridade em relação aos homens, com uma média de 12 anos de estudo contra 10,7 anos para os homens. No entanto, apesar desses avanços, persistem desafios significativos, como a disparidade no tempo dedicado à chamada jornada de trabalho reprodutiva.

O tempo dedicado às atividades domésticas e de cuidados com familiares é consideravelmente maior entre as mulheres, com uma média de 17,8 horas semanais para mulheres empregadas, em comparação com 11 horas para homens na mesma condição. Entre os desocupados, a diferença é ainda mais pronunciada, com as mulheres dedicando 24,5 horas semanais a essas atividades, enquanto os homens dedicam 13,4 horas.

Ricardo Alban, presidente da CNI, ressalta a importância de continuar avançando na busca pela equidade de gênero no mercado de trabalho brasileiro. “É urgente ampliar o debate e implementar medidas concretas para chegarmos a um cenário de equidade plena”, afirma Alban.

Em julho do ano passado, o governo federal sancionou uma lei que visa garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres e estabelecer medidas para tornar os salários mais justos. A legislação exige que empresas com 100 ou mais funcionários forneçam relatórios semestrais transparentes sobre salários e critérios de remuneração, facilitando a fiscalização e punindo irregularidades.

Além disso, foram instituídos canais para denúncias de descumprimento da igualdade salarial, demonstrando um compromisso do governo em combater essa forma de discriminação de gênero. As denúncias podem ser feitas por meio de um portal do Ministério do Trabalho ou pelos telefones Disque 100, Disque 180 ou Disque 158.

Embora os avanços sejam promissores, é necessário um esforço contínuo de todos os setores da sociedade para eliminar as disparidades de gênero no mercado de trabalho e garantir oportunidades iguais para homens e mulheres.