Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Sentença confirma o desfecho do caso que chocou o país e reascendeu debate sobre os limites da exposição infantil na internet
Michelly Perez - 23/02/2026 • 08:49
Foto: reprodução-internet
O que começou como um estrondoso sucesso de engajamento no Instagram e TikTok terminou em sentença condenatória na Paraíba. No último sábado (21), a Justiça paraibana condenou o influenciador Hytalo Santos e seu companheiro, Israel Vicente, pelos crimes de aliciamento e exploração sexual de menores. A informação foi confirmada pela própria defesa do casal, que agora tenta reverter o cenário na base do recurso.
O caso, que corre sob segredo de Justiça para proteger as vítimas, é o desfecho de um imbróglio que ganhou os holofotes em agosto do ano passado, após uma prisão preventiva dramática realizada em Carapicuíba, São Paulo.
Embora as denúncias tenham culminado na prisão e agora na condenação, é impossível contar essa história sem mencionar o vídeo emblemático do youtuber Felca. Em uma análise de quase uma hora, que viralizou e gerou um debate nacional sem precedentes, Felca expôs o que chamou de “adultização precoce” das crianças e adolescentes que viviam sob a tutela de Hytalo.
As imagens de menores em poses provocativas, trajes sumários e situações que beiravam o erotismo — batizadas pelo influenciador como suas “crias” — foram o estopim para que o Ministério Público da Paraíba aprofundasse as investigações. O que se seguiu foi o desmoronamento de uma estrutura que, segundo o MP, utilizava a vulnerabilidade financeira de famílias humildes para “comprar” o acesso a esses jovens.
A denúncia do Ministério Público é pesada e descreve um cenário de “ambientes moralmente tóxicos”. Segundo os promotores, as vítimas eram:
Isoladas do convívio familiar: Com celulares confiscados e rotinas vigiadas.
Submetidas a procedimentos estéticos: Crianças e adolescentes passavam por intervenções para atender aos padrões de imagem das redes.
Exploradas financeiramente: Relatos de ex-assessores apontam para um regime de trabalho análogo à escravidão, com gravações exaustivas e sem remuneração.
“A decisão representa a vitória do preconceito”, defendeu Sean Kompier Abib, advogado do casal, alegando que a Justiça foi movida por homofobia e racismo, além de estigmatizar a cultura do brega funk.
Apesar da condenação, a batalha jurídica ainda não terminou. Nesta segunda-feira (24), está previsto o julgamento de um habeas corpus que pode decidir se os condenados poderão recorrer em liberdade. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho pede uma indenização bilionária: R$ 12 milhões por danos morais coletivos, além de valores individuais que variam entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões para as vítimas.
O “Caso Hytalo” deixa uma cicatriz na internet brasileira e serve de alerta para pais, plataformas e autoridades. A condenação sinaliza que o número de seguidores não é um salvo-conduto para o desrespeito à dignidade da infância.
Casos de violência ou exploração de crianças e adolescentes devem ser reportados imediatamente:
Disque 100: Direitos Humanos (anônimo).
190: Polícia Militar (casos em flagrante).
Conselho Tutelar: Procure a unidade mais próxima de sua residência.
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