Foto: Walterson Rosa/MS
Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Espaço no Rio homenageia mais de 700 mil vítimas da Covid-19 e reforça papel da ciência no Brasil
Michelly Perez - 08/04/2026 • 08:23
Foto: Walterson Rosa/MS
Em um gesto que mistura memória, reflexão e responsabilidade, o Ministério da Saúde inaugurou na segunda-feira (7), Dia Mundial da Saúde, o Memorial da Pandemia — um espaço dedicado a homenagear as mais de 700 mil vítimas da Covid-19 no país.
Instalado no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), o memorial também marca a reabertura do espaço cultural à população, agora com a proposta de unir saúde, arte e história em um só lugar.
Durante a cerimônia, o ministro Alexandre Padilha destacou que o Brasil enfrentou não apenas uma crise sanitária, mas também uma crise de responsabilidade pública.
Segundo ele, a desinformação e o negacionismo tiveram impactos diretos no número de mortes. “Preservar essa memória é essencial para que erros não se repitam e para que a defesa da ciência seja inegociável”, afirmou.
O espaço foi pensado justamente para isso: lembrar, educar e provocar reflexão. Entre os destaques estão uma instalação digital com nomes das vítimas, um monumento simbólico, uma escultura de Darlan Rosa — criador do personagem Zé Gotinha — e até um parquinho temático voltado à conscientização infantil sobre vacinação.
Além da estrutura presencial, o projeto também ganha versão online com o lançamento do Memorial Digital da Pandemia, desenvolvido em parceria com a OPAS, a OMS e a Unicamp.
O acervo virtual deve dar origem a uma exposição itinerante que vai circular por seis capitais brasileiras até 2027, ampliando o alcance da iniciativa.
Outro anúncio importante foi o lançamento do Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no SUS, elaborado em parceria com a Fiocruz.
O documento reúne orientações para diagnóstico e tratamento das sequelas da doença, que podem surgir semanas após a infecção — mesmo em casos leves — e afetar sistemas como o respiratório, cardiovascular, neurológico e a saúde mental.
A publicação responde a um cenário preocupante: cerca de um quarto dos brasileiros que tiveram Covid-19 apresentam sintomas persistentes.
O lançamento do memorial acontece em um contexto de recuperação das coberturas vacinais no Brasil. Após anos de queda, os índices voltaram a crescer, com destaque para vacinas infantis e a imunização contra HPV, que hoje supera a média mundial.
A retomada de campanhas, o retorno do Zé Gotinha e a digitalização da caderneta de vacinação estão entre as estratégias adotadas para recuperar a confiança da população.
Reaberto com investimento de cerca de R$ 15 milhões, o CCMS passa a atuar como um espaço permanente de articulação entre memória e políticas públicas. Nos próximos meses, o local recebe a exposição “Vida Reinventada”, com curadoria de Nísia Trindade Lima.
A proposta é clara: transformar o luto coletivo em aprendizado — e garantir que a história da pandemia não seja esquecida.
Porque, mais do que lembrar o passado, o memorial aponta para o futuro: um país onde ciência, informação e vida caminhem sempre juntas.