Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Memorial foi recolocado após 45 dias desde que as imagens foram arrancadas por ordem do atual prefeito
Michelly Perez - 17/02/2025 • 09:01
Foto: reprodução Rio de Paz
A violência diária que toma as ruas do Rio de Janeiro voltou a ser relembrada no mural localizado na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, onde uma galeria de fotos em memória de 50 crianças mortas por bala perdida entre 2020 e 2025 foi recolocado ontem (16). As imagens chegaram a ser arrancadas do local em dezembro do ano passado, por ordem do prefeito Eduardo Paes, causando indignação na população e na ONG Rio de Paz, autora da montagem. Após 45 dias de espera, a volta das fotos foi autorizada pelo prefeito.

A ação contou com a participação de pessoas das famílias. Logo após botar a foto do filho no local, Bruna da Silva, mãe de Marcos Vinicius da Silva, morto por bala perdida aos 14 anos, em 2018, em uma operação policial na Maré, zona norte do Rio, disse que espera a preservação da galeria. “Que esse espaço venha receber nossos filhos bem. Que os moradores cuidem de cada rosto e de cada memória dessas”, contou conforme texto da Rio de Paz.
Bruna revelou ainda o seu sentimento pelos 45 dias de espera para o retorno do memorial. “Esses dias foram bem angustiantes, mas o prefeito pediu desculpas às mães e familiares, à ONG Rio de Paz. A gente não quer que venham mais rostos de criança para a Lagoa e para lugar nenhum. Lugar de filho é no nosso convívio”, indicou.
A ONG informou ainda que em reunião com mães das vítimas, integrantes do Rio de Paz e a secretária de Meio Ambiente e Clima do município, Tainá de Paula, Eduardo Paes pediu desculpas pelo ato e autorizou a volta da homenagem às vítimas da violência no Rio.
A galeria ganhou de volta novamente os girassóis que foram colocados no memorial por Thamires de Assis, mãe de Ester de Assis, morta aos 9 anos por bala perdida, em confronto entre traficantes, em Madureira, zona norte. A flor era a preferida da menina e agora está junto à foto da filha de Thamires, que foi acompanhada da filha Joana. “Elas eram muito ligadas, se parecem muito e se amavam. Fico feliz com a volta da foto porque é uma forma de ela ser lembrada. Vão olhar para a foto e saber quem é a Ester. Tirar a foto dela foi triste porque foi como se tivesse arrancado ela de mim novamente”, lembrou no texto da ONG. (com Agência Brasil)
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