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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Parceria com a França garante tecnologia para mapear o mosquito da dengue

Ferramenta permite a leitura da distribuição geoespacial e epidemiológica das arboviroses

Michelly Perez - 03/12/2024 • 08:00

Foto: reprodução-spaceclimateobservatory

De olho na prevenção para 2025 contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, o Brasil firmou parceria para utilização de uma ferramenta francesa: o ARBOCARTO, sistema que mapeia a densidade populacional do mosquito.

“No Brasil, as estimativas de risco são quase sempre baseadas na doença e não no seu vetor de transmissão. Isso permite uma antecipação dos surtos, trabalhamos preventivamente”, explica Christovam Barcellos, um dos coordenadores do projeto.

Desenvolvida por pesquisadores do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), a ferramenta realiza mapeamento em tempo real e possibilita a simulação de ações de controle e seus impactos.

Pedro Galdino de Souza trabalha no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, região de tríplice fronteira – Brasil, Venezuela e Guiana – marcada pelo histórico de arboviroses. “Meu trabalho abrange cinco municípios em Roraima e três no Amazonas. O ARBOCARTO será importante para auxiliar na leitura da distribuição geoespacial e epidemiológica das arboviroses, com foco na dengue”, afirma.

Contribuições ao cenário brasileiro

Até novembro, o Brasil registrou mais de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, um aumento de 400% em relação a 2023. Pelo menos 5.800 mortes causadas pela doença foram confirmadas, e outros 1.100 casos estão em investigação. Os dados são do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde.

O Observatório de Clima e Saúde tem monitorado de perto a expansão da área de transmissão da dengue no país.  “O Observatório consegue localizar onde estão acontecendo esses casos, quais são as áreas de risco. Mas a vantagem do Arbocarto é tentar focar no nível local, com uma escala de maior detalhe”, explica Cristovam.

Dessa forma, é possível observar as zonas mais afetadas pela infestação do mosquito, e atuar preventivamente para evitar os casos de dengue. “Essa é a primeira vantagem: trabalhar com mosquitos, e não com casos, e no nível local”, reforça.

Potencial de impacto no SUS

A expectativa é que a chegada da ferramenta no Brasil impacte positivamente o SUS, ajudando a otimizar os recursos e direcionar as ações de controle de forma estratégica. Em teste em algumas cidades, como no Rio de Janeiro, e em regiões transfronteiriças onde o LMI Sentinela atua, como na Guiana Francesa, o ARBOCARTO deve ganhar mais espaço em breve, quando os participantes iniciarem a utilização em suas regiões.  (com informações Fiocruz)

 

Tags: Arboviroses, Fiocruz, saúde,