Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Condenado a quase 126 anos de prisão, Gerson Palermo era considerado alvo prioritário das forças de segurança brasileiras e foi localizado após cooperação entre Brasil e Bolívia.
Michelly Perez - 26/05/2026 • 10:00
Foto: reprodução- redes sociais
Condenado a quase 126 anos de prisão e considerado um dos principais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo foi preso nesta terça-feira (26) na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após permanecer foragido desde 2020.
A captura ocorreu durante uma ação conjunta da Polícia Federal com a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (FELCN), após troca de informações entre as forças policiais dos dois países.
Em nota, a Polícia Federal informou que atuou em uma “cooperação policial internacional que resultou na prisão, na Bolívia, do foragido brasileiro condenado por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e outros delitos graves”.
Ainda segundo a PF, o preso “constava entre alvos prioritários das forças de segurança brasileiras” e permanecerá à disposição das autoridades competentes para os procedimentos legais.
Palermo estava na lista dos criminosos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública desde que rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu logo após deixar o presídio federal de segurança máxima em Campo Grande por decisão judicial, em 2020.
A trajetória criminal de Gerson Palermo inclui um dos crimes mais conhecidos do início dos anos 2000. Em agosto de 2000, ele participou do sequestro de um avião Boeing 727 da antiga Vasp. A aeronave saiu de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba, mas foi tomada por criminosos cerca de 20 minutos após a decolagem.
O avião foi obrigado a pousar em Porecatu, no norte do Paraná, onde o grupo roubou nove malotes do Banco do Brasil com aproximadamente R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.
Além do assalto cinematográfico, ele também foi apontado como um dos líderes de um esquema internacional de tráfico de drogas investigado pela Polícia Federal durante a Operação All In, deflagrada em 2017.
Segundo as investigações, a organização utilizava aviões para transportar cocaína da Bolívia até Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Depois, a droga seguia em caminhões para outros estados brasileiros. A operação ocorreu em seis estados e resultou na apreensão de mais de 800 quilos de cocaína.
Pelos crimes de tráfico internacional e associação para o tráfico, Palermo recebeu nova condenação, desta vez superior a 59 anos de prisão. Somadas, as penas chegam a quase 126 anos.
Após as condenações, ele cumpria pena no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande até conseguir a liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica. Pouco tempo depois, rompeu o equipamento e desapareceu.
Agora preso novamente, Gerson Palermo permanecerá sob custódia das autoridades bolivianas até os procedimentos de extradição e transferência ao Brasil.