Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Cansado de viver sob a violência alimentada pelo álcool, menino buscou ajuda para salvar a si mesmo e aos irmãos
Michelly Perez - 03/02/2026 • 08:04
Foto: reprodução- PCMS
Existem situações em que a infância é interrompida pela dura necessidade de sobreviver. Na tarde de ontem (2), as portas da Delegacia de Polícia Civil de Ribas do Rio Pardo se abriram para um visitante inesperado: uma criança que, sozinha e movida pelo desespero, buscava ajuda. O relato era doloroso e urgente: ele havia sido agredido pela própria mãe.
O acolhimento foi imediato. Servidoras da unidade abraçaram a causa e acionaram o Conselho Tutelar. No hospital, o exame de corpo de delito confirmou o que os olhos da criança já diziam: as lesões no corpo eram marcas reais de uma violência que nenhum filho deveria conhecer.
A investigação revelou que o lar, que deveria ser um porto seguro, havia se tornado um lugar de medo devido ao uso frequente de álcool pela mãe, identificada como M.A.O., de 36 anos. Segundo os relatos, a bebida era o combustível para acessos de agressividade que vitimavam seus próprios filhos.
Ao ser localizada pelos policiais, a mulher ainda apresentava sinais de embriaguez. Ela foi presa em flagrante e conduzida à delegacia, não apenas para responder pelo crime de maus-tratos, mas para que a corrente de violência fosse, enfim, quebrada.
Enquanto a justiça segue seu curso, o foco agora é a cura emocional das crianças. Elas foram entregues aos cuidados do Conselho Tutelar, permanecendo em um ambiente seguro, reservado e, acima de tudo, cercado pelo acolhimento especializado que tanto necessitam.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul aproveita este caso para reforçar um alerta vital: a violência doméstica prospera no silêncio. A atitude desta criança é um lembrete de que precisamos estar atentos aos sinais e que a denúncia é o único caminho para proteger quem ainda não tem voz para se defender.
Se você suspeita de maus-tratos contra crianças ou adolescentes, não se cale. O Conselho Tutelar e a Polícia Civil estão prontos para intervir. O silêncio pode ser fatal, mas a sua denúncia salva vidas.
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