Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Após imagens revelarem que arma de PM caiu durante confusão no Centro, Associação das Travestis e Transexuais de MS cobra apuração rigorosa
Michelly Perez - 17/02/2026 • 08:59
Foto: reprodução
O falecimento de Gabriella, mulher trans de 27 anos, baleada por um policial militar na Avenida Calógeras ontem (16), deixou de ser apenas um registro de “intervenção estatal” para se tornar o centro de um inflamado debate sobre direitos humanos e procedimentos policiais em Mato Grosso do Sul.
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O caso, que ganhou novos contornos com a divulgação de vídeos de segurança, agora conta com o posicionamento oficial da ATTMS (Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul), que exige transparência e punição.
O episódio ocorreu nas proximidades da Praça Santo Antônio. Segundo o boletim de ocorrência, a equipe policial realizava uma abordagem a suspeitos de uso de drogas quando a confusão se iniciou. Imagens de câmeras de monitoramento mostram que o revólver caiu no chão durante a briga física, sendo então apanhado por Gabriella antes de ela ser atingida por três disparos (peito, abdômen e perna).
Em nota oficial publicada nesta terça-feira, a ATTMS manifestou “profundo pesar” e classificou o episódio como um fato gravíssimo que exige a intervenção imediata do Ministério Público Estadual (MPE).
Embora a associação reconheça que apontar uma arma para a polícia “não é a melhor escolha”, a entidade enfatiza que o histórico de violência contra essa população não pode ser ignorado.
” A farda não pode servir de escudo para abusos, assim como o Estado não pode compactuar com práticas que violem direitos humanos”, diz trecho da nota assinada pela coordenadora interina Manoela Kika Rodrigues Veiga.
A associação questiona o motivo do uso de armamento letal em vez de instrumentos não letais e cobra uma análise técnica minuciosa sobre se os quatro disparos efetuados podem, de fato, ser compreendidos como legítima defesa ou se configuram excesso desproporcional.
O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção de agente do Estado e segue sob investigação da Corregedoria da Polícia Militar e da Polícia Civil. As armas dos policiais foram recolhidas para perícia. Gabriella, que estava em situação de rua, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo na UPA Coronel Antonino.
Você acredita que houve excesso na abordagem ou a ação foi uma resposta necessária à situação de risco? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate.