Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Apesar do número alarmante, grande parte dos casos permanece invisível, ocorrendo por trás de portas fechadas
Michelly Perez - 06/08/2025 • 09:40
Foto: divulgação
Mato Grosso do Sul vive uma realidade preocupante: a cada 25 minutos, a Polícia Civil registra uma ocorrência de violência doméstica contra mulheres. De janeiro a 4 de agosto deste ano, foram 12.393 boletins de ocorrência, revelando que para muitas vítimas, o lar se tornou um território de medo.
O número, já expressivo, representa apenas a violência que chega às delegacias. Grande parte dos casos permanece invisível, ocorrendo por trás de portas fechadas.
O tema ganha reforço neste mês com a campanha Agosto Lilás, criada pela Lei 4.969/2016, de autoria do deputado Professor Rinaldo Modesto (Podemos).
“Agosto Lilás é mais do que uma campanha, é um compromisso com a dignidade das mulheres. Nosso estado, infelizmente, lidera índices preocupantes de violência, o que torna a mobilização ainda mais urgente”, alerta o deputado.
A campanha tem a companhia de outra iniciativa: a Lei 6.203/2024, da deputada Mara Caseiro (PSDB), que institui a Semana de Conscientização sobre a Violência Psicológica entre Mulheres, também chamada de “Wollying”.
“A violência psicológica é silenciosa, mas devastadora. Essa lei é um passo importante para combater o abuso emocional e reafirmar que a violência não se justifica em nenhuma forma”, explica a deputada.
A Lei do Agosto Lilás também criou o programa Maria da Penha vai à Escola, levando conhecimento sobre a legislação para estudantes. O objetivo é aprofundar o debate sobre a Lei Maria da Penha, que completou 19 anos no dia 7 de agosto.
A violência doméstica em MS tem um recorte racial bem definido. Dos mais de 12 mil casos deste ano, 62% das vítimas eram mulheres negras (pretas e pardas). Isso significa que, a cada dez mulheres agredidas em casa, seis são negras.
O Monitor da Violência Contra as Mulheres, do TJMS e da Sejusp, também registrou 1.077 estupros de mulheres. A maioria das vítimas, 82,5% do total, são crianças e adolescentes.
O feminicídio, homicídio de mulheres por razões de gênero, vitimou 21 mulheres em Mato Grosso do Sul neste ano, uma média de três mortes por mês.
Apesar da taxa de feminicídio ter diminuído 31,8% em 2023, o estado ainda tem o quinto maior índice do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
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