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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Nilza é a 3ª vítima de feminicídio em MS; versões contraditórias marcam o crime

Polícia investiga o papel do marido e do filho no assassinato da mulher morta com uma facada

Michelly Perez - 23/02/2026 • 09:37

Foto: Pedro Depetriz –  Coxim Agora

A morte de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, ocorrida neste domingo (22) em Coxim, transcende a crônica policial local para se tornar o sintoma de uma estatística alarmante. Ao registrar o terceiro feminicídio do ano em apenas 53 dias, Mato Grosso do Sul escancara uma realidade crítica: o estado, que frequentemente figura no topo dos índices nacionais de violência contra a mulher, enfrenta dificuldades para garantir a proteção básica no ambiente doméstico.

Nilza foi encontrada sobre um colchão na sala de sua residência, localizada na Rua Walmor Rocha Soares. De acordo com os levantamentos da perícia técnica, um único golpe de faca no abdômen foi suficiente para tirar a vida da vítima. Embora o Corpo de Bombeiros tenha sido acionado, o óbito foi confirmado ainda no local, antes que qualquer manobra de socorro pudesse ser realizada.

Contradições e suspeitas

O que chama a atenção das autoridades é o emaranhado de versões apresentadas no interior do imóvel. A princípio, o companheiro da vítima, de 46 anos, relatou que havia saído por 40 minutos para buscar gelo, encontrando Nilza ferida ao retornar por volta das 4h30.

Posteriormente, o homem alterou o depoimento, afirmando que o fato teria ocorrido ainda na noite anterior. O comportamento agressivo durante a abordagem policial, que exigiu o uso de algemas, e os sinais de luta corporal encontrados na sala reforçam a tese de um confronto prévio ao crime.

Nesse contexto, a linha de investigação aponta para um segundo personagem: o filho do casal, de 22 anos. Segundo o relato do pai à polícia, mãe e filho mantinham um histórico de desavenças e teriam tido uma discussão ríspida momentos antes do assassinato. O jovem é, atualmente, o principal suspeito de desferir o golpe fatal.

O silêncio e a falha na rede

O caso de Nilza se enquadra no que especialistas chamam de “crime anunciado”. Relatos indicam que as brigas no imóvel eram frequentes, levantando o questionamento sobre a eficácia das redes de apoio e prevenção. Nesse sentido, o episódio reforça que a violência doméstica, muitas vezes velada sob o pretexto de “conflito familiar”, é o estágio anterior ao desfecho letal.

Tags: Coxim, Feminicídio, policia,