Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Esquema usava carros com fundo falso, informações sigilosas e agentes para driblar fiscalização
Michelly Perez - 18/03/2026 • 07:47
Acesso ao Camelódromo foi bloqueado, a polícia segue no local- Foto: divulgação
Uma grande operação realizada na manhã desta quarta-feira (18) fechou um camelódromo em Campo Grande e escancarou um esquema criminoso que envolvia contrabando de eletrônicos, lavagem de dinheiro e até a participação de policiais.
A chamada Operação Iscariotes identificou um grupo organizado que trazia produtos de alto valor para o Brasil de forma ilegal, sem pagar impostos e sem qualquer controle. Depois, os itens eram distribuídos em Mato Grosso do Sul e também em cidades de Minas Gerais.
Para tentar despistar a fiscalização, os criminosos usavam carros adaptados com fundos falsos e escondiam as mercadorias em meio a cargas legais. Além disso, o dinheiro obtido com as vendas passava por esquemas para esconder sua origem.
O que mais chamou atenção dos investigadores foi o envolvimento de agentes de segurança pública, tanto da ativa quanto aposentados. Segundo as apurações, eles ajudavam com informações sigilosas, monitoramento de sistemas policiais e até no transporte das cargas ilegais.
Ao todo, foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais em várias cidades do país, incluindo Dourados, além de municípios de Minas Gerais. A Justiça determinou quatro prisões preventivas, buscas e apreensões, afastamento de servidores e o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em bens.
A operação também resultou na apreensão de imóveis, veículos e na suspensão de empresas ligadas ao esquema.
O nome faz referência à traição, em alusão aos agentes públicos que, segundo a investigação, teriam usado o cargo para ajudar o crime. As investigações continuam e a expectativa é que novos envolvidos ainda sejam identificados.
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