Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Ação do GAECO acontece nesta quarta-feira e mira organização que usava propina a policial para facilitar arremessos
Michelly Perez - 11/03/2026 • 09:11
Fotos: MPMS
Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (11) em Mato Grosso do Sul revelou um esquema ousado usado por integrantes de facção criminosa para abastecer presídios da Capital com drogas e celulares. A ação batizada de “Pombo Sem Asas” é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público Estadual.
De acordo com as investigações, o grupo montou uma logística para lançar pacotes com materiais ilícitos por cima dos muros da unidade prisional de Campo Grande. Os arremessos eram feitos por comparsas que estavam em liberdade, enquanto detentos coordenavam a operação de dentro do presídio.

Alguns dos pacotes arremessaos e apreendidos
A investigação aponta ainda que o esquema contava com corrupção de um policial militar, responsável pela vigilância externa em torres da penitenciária. Segundo o Ministério Público, ele recebia pagamentos de propina de presos e familiares ligados à facção para permitir que os pacotes fossem jogados para dentro do complexo penitenciário.
Os chamados “pombos”, como eram apelidados pelos criminosos, eram pacotes contendo celulares e entorpecentes. Eles podiam ser lançados manualmente ou até com o uso de drones para ultrapassar os muros da prisão.
Nesta fase da operação, a Justiça autorizou 35 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Campo Grande e também nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
Além de permitir a entrada de drogas e celulares no presídio, o esquema também movimentava dinheiro do tráfico por meio de contas bancárias de integrantes e terceiros, usado para manter o funcionamento da organização criminosa.
A operação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, da Agepen e de equipes especializadas da PM, como Batalhão de Choque, Bope e Força Tática. As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.