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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Receita e PF atingem o coração financeiro do PCC em megaoperação contra máfia do combustível

Maior esquema de sonegação e lavagem de dinheiro da história do país, envolve quase 1.000 postos e um "banco paralelo"

Michelly Perez - 28/08/2025 • 07:41

Foto: Receita Federal

A Receita Federal e uma série de órgãos parceiros detonaram, nesta quinta-feira (28), a Operação “Carbono Oculto”, uma das maiores ações já realizadas contra o crime organizado no Brasil. A ofensiva tem como alvo uma organização criminosa que fraudava e lavava dinheiro no setor de combustíveis, com movimentações impressionantes que chegavam a R$ 52 bilhões em apenas quatro anos.

A investigação aponta que o grupo controlava toda a cadeia de produção e venda de combustíveis, desde a importação até a bomba. Para dissimular o dinheiro ilícito, usavam centenas de empresas de fachada, sonegavam impostos e ainda adulteravam os produtos, lesando tanto o governo quanto o consumidor.

 

Dourados e Iguatemi na mira

A operação está em andamento com o cumprimento de cerca de 350 mandados de busca e apreensão em oito estados (SP, ES, PR, MT, MS, GO, RJ e SC). Em Mato Grosso do Sul estão sendo cumpridos sete mandados de buscas em Iguatemi e outro mandado em Dourados. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos, incluindo imóveis e veículos.

O esquema era tão sofisticado que utilizava uma ‘fintech’ como banco paralelo. A instituição, sozinha, movimentou mais de R$ 46 bilhões de forma quase invisível, dificultando o rastreamento do dinheiro sujo. A brecha regulatória nessas empresas, que usam uma “conta-bolsão” para misturar os recursos de todos os clientes, era a principal aliada dos criminosos.

Lucro Blindado

O dinheiro era “lavado” em mais de mil postos de combustíveis, que, de acordo com a Receita, movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. O lucro era então blindado por meio de pelo menos 40 fundos de investimentos que, controlados pelo próprio grupo, adquiriram bens de alto valor como terminais portuários, usinas de álcool e até uma residência de R$ 13 milhões em Trancoso (BA).

O nome da operação, “Carbono Oculto”, é uma metáfora para o dinheiro escondido na cadeia de combustíveis. Uma jogada de mestre para quem pensou que poderia passar batido, mas que agora terá que se explicar com a Justiça.

Tags: Combustível, facção criminosa, segurança,