Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
O processo envolve uma coleta meticulosa e análise microscópica dos vestígios balísticos, seguidos pela integração dos dados ao Banco Nacional de Perfis Balísticos
Dayane Mendonça - 09/05/2024 • 09:28
Hit Balístico/Assessoria
A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul alcançou um marco significativo na segurança pública ao identificar seu primeiro “hit” balístico, destacando assim uma nova capacidade policial de conectar crimes através do uso de uma mesma arma de fogo. Esse avanço foi possível graças aos recentes investimentos em tecnologia de ponta, apoiados pelos governos estadual e federal, e à implementação do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) no Estado.
O diretor do Instituto de Criminalística da Polícia Científica, Emerson Lopes dos Reis, afirmou: “Alcançamos nosso primeiro hit balístico ao vincular estojos de locais de crimes diferentes. As marcas únicas deixadas pelas armas nos permitiram rastrear a trajetória de uma arma específica através de várias infrações criminais.”
O contexto desse primeiro hit balístico remonta a uma série de incidentes violentos ocorridos em 2023 em Campo Grande, que incluíram tentativas de homicídio e lesões corporais, conectados a um caso de homicídio em 2024 na mesma cidade. A conexão entre esses crimes foi estabelecida graças à recuperação e caracterização de vestígios balísticos durante os levantamentos periciais de locais de crime.
O processo envolve uma coleta meticulosa e análise microscópica dos vestígios balísticos, seguidos pela integração dos dados ao Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB). Após uma análise pericial, confirmou-se que os casos ocorridos em diferentes bairros e datas foram perpetrados utilizando a mesma arma de fogo.
Esse sucesso é resultado do trabalho em equipe entre os diversos setores da Polícia Científica, desde o Núcleo de Perícias Externas até o Núcleo de Balística Forense. José de Anchieta Souza e Silva, coordenador-geral de Perícias, destacou: “Este é um grande progresso não só para nossa instituição, mas para toda Segurança Pública, apoiado nos recentes investimentos do governo e na dedicação de nossa equipe em buscar justiça por meio da ciência”.
A chefe do Núcleo de Balística Forense, Karina Rébulla Laitart, expressou otimismo quanto à expansão dos casos de hit balístico, relatando que já foram inseridos cerca de 253 elementos balísticos no banco e esperando que esse número cresça exponencialmente nos próximos meses.
Esses avanços na análise balística não apenas resolvem casos específicos, mas também fornecem informações valiosas para elaboração de estratégias eficazes de redução da criminalidade. O Sinab, por exemplo, fornece informações estratégicas para auxiliar o sistema de segurança pública a compreender os padrões dos crimes com armas de fogo suspeitas, o compartilhamento de armas para cometer crimes, atividades criminosas ligadas ao narcotráfico, grupos de extermínio e organizações criminosas.