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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

“A cidade não pode esperar”: na abertura dos trabalhos da Câmara, oposição aponta colapso na gestão

Com 80% de reprovação popular, vereadora faz discurso contundente citando caos no transporte, crise na saúde e "golpe" no IPTU

Michelly Perez - 03/02/2026 • 08:59

Foto: divulgação

O retorno das atividades na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (02), não foi marcado apenas por protocolos, mas por um duro choque de realidade. Em um discurso que serviu como termômetro do clima político na Capital, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) subiu à tribuna para dar voz à insatisfação de boa parte dos campo-grandenses, destacando que o Legislativo não pode fechar os olhos para a crise de gestão que atinge a cidade.

A parlamentar foi direta ao citar que a administração da prefeita Adriane Lopes enfrenta uma desaprovação histórica de 80% da população. Para a líder da oposição, ignorar esses números seria uma falha constitucional desta Casa de Leis. “Não é uma visão política, são problemas reais que a cidade precisa enfrentar”, disparou.

O transporte que maltrata e a saúde que agoniza

Entre os pontos mais críticos levantados, Luiza destacou o “colapso” do transporte coletivo. A crítica focou na rotina invisível de milhares de mulheres que enfrentam ônibus precários — que, segundo ela, “chegam a chover dentro” — para cumprir jornadas exaustivas.

Na saúde, a denúncia foi sobre a falta de medicamentos básicos e a crise nas vagas hospitalares, agravada pela dívida da prefeitura com a Santa Casa, que coloca o maior hospital do estado à beira da falência. A vereadora questionou a indiferença da gestão diante das famílias e “mães atípicas” que buscam socorro nas UPAs e encontram portas fechadas ou prateleiras vazias.

Arrecadação recorde e serviços precários

Um dos pontos de maior indignação no discurso foi o contraste financeiro: Campo Grande arrecadou quase R$ 8 bilhões em 2025, um recorde histórico. No entanto, para a oposição, esse montante não se traduz em bem-estar para o cidadão.

“O povo cumpriu honestamente sua obrigação pagando impostos, mas não recebe serviços equivalentes. Ao contrário”, afirmou a vereadora.

Luiza classificou como um “golpe contra o contribuinte” a polêmica emissão dos boletos de IPTU e taxa de lixo com cobranças consideradas ilegais no início deste ano. Ela lembrou que a inflexibilidade da prefeita no diálogo resultou em dezenas de ações judiciais e na união de entidades como a OAB e a Associação Comercial contra as medidas tributárias da atual gestão.

O “desmonte” da assistência social

A vereadora também trouxe à tona o encerramento de programas como o “Criança Feliz” e o “Instituto Mirim”, classificando o movimento como um desmonte das políticas de assistência social que deixa famílias vulneráveis sem o amparo do Estado e sobrecarrega os conselhos tutelares, que hoje operam sem a estrutura necessária.

O papel da Câmara em 2026

Ao finalizar, Luiza Ribeiro reafirmou que a bancada de oposição atuará com firmeza para que a Câmara não se omita diante do que chamou de “contramão dos interesses públicos”. O recado foi claro: o ano legislativo começa sob o signo da fiscalização rigorosa, cobrando que os bilhões arrecadados finalmente cheguem à ponta, em forma de asfalto sem buracos, ônibus dignos e hospitais em funcionamento.

Tags: camara, Luiza Ribeiro, Vereadores,