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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Após barrar privatização, vereadora cobra instalação da CPI da Saúde em Campo Grande

Luiza Ribeiro defende investigação sobre falta de medicamentos, gestão de recursos do SUS e crise nas unidades de saúde

Michelly Perez - 08/05/2026 • 10:06

Foto: Izaías Medeiros

Após a derrubada da proposta de privatização da saúde pública na Câmara Municipal de Campo Grande, a vereadora Luiza Ribeiro voltou a defender a instalação da CPI da Saúde para investigar possíveis irregularidades na gestão da área e a crise enfrentada pela população na rede pública da Capital.

Segundo a parlamentar, o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito foi protocolado ainda em novembro do ano passado e aponta uma série de problemas que, na avaliação dela, precisam ser apurados com transparência e rigor técnico.

Entre os principais pontos citados estão a falta de medicamentos e insumos básicos nas unidades de saúde, ausência de fraldas, alimentação parenteral, sondas e suplementos destinados a crianças e pessoas com deficiência, além de falhas na assistência farmacêutica e questionamentos sobre a execução financeira da saúde municipal.

Investigações e gestão 

A vereadora também criticou a condução administrativa da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). De acordo com Luiza, a pasta perdeu força institucional após a criação de um comitê gestor responsável por decisões estratégicas da saúde pública em Campo Grande. Ela lembrou ainda que o atual secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, esteve à frente da proposta de privatização rejeitada pela Câmara.

Outro fator apontado pela parlamentar para justificar a abertura da CPI é a investigação conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre possíveis irregularidades na movimentação de R$ 156,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde, composto por recursos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A apuração teve origem em denúncia apresentada pelo Conselho Municipal de Saúde e encaminhada ao TCU pela 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Entre as suspeitas investigadas estão possível remanejamento irregular de recursos federais, despesas realizadas sem empenho prévio e dificuldades de acesso a documentos financeiros por parte do controle social.

Luiza Ribeiro afirmou que os novos desdobramentos reforçam a necessidade de aprofundar as investigações na Câmara Municipal.

“A derrota da proposta de privatização mostrou que Campo Grande quer respostas concretas e transparência, não soluções improvisadas. A CPI é necessária para investigar a aplicação dos recursos públicos, entender por que faltam medicamentos, profissionais e estrutura nas unidades e identificar responsabilidades diante de uma crise que atinge diretamente a vida da população”, declarou.

A vereadora também destacou que os problemas da saúde pública são percebidos diariamente pela população nas UPAs, CRSs e unidades básicas de saúde, principalmente em razão da demora nos atendimentos, superlotação, falta de especialistas e escassez de insumos essenciais.

Caso seja instaurada, a CPI poderá requisitar documentos, convocar gestores, ouvir testemunhas, solicitar perícias e encaminhar relatórios aos órgãos de controle e ao Ministério Público.

 

Tags: camara, CPI, saúde,