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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Com alta de feminicídios, deputadas cobram mudança cultural e reforço na proteção às mulheres em MS

Com novos casos registrados em 2026, parlamentares defendem conscientização, políticas públicas e ações preventivas

Michelly Perez - 15/04/2026 • 08:57

Foto: Wagner Guimarães

O aumento dos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul voltou a pautar debates na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (14). Durante sessão, deputados manifestaram preocupação com a escalada da violência contra mulheres e defenderam mudanças culturais, além do fortalecimento das políticas públicas de proteção.

Até abril deste ano, o Estado já soma 11 feminicídios, segundo dados do monitor de violência. O número acendeu o alerta entre os parlamentares, que destacaram a gravidade dos casos recentes, muitos deles marcados por extrema violência e ocorridos dentro do ambiente familiar.

A deputada Mara Caseiro (PL) foi a primeira a abordar o tema na tribuna, citando o assassinato de uma mulher em Eldorado, morta pelo ex-companheiro na frente da filha de 9 anos.

“Em poucos dias, vimos uma sequência de casos. E isso sem contar os que não chegam a ser denunciados. Como a vida pode valer menos que bens materiais?”, questionou.

A parlamentar defendeu penas mais rigorosas, mas ressaltou que a mudança precisa ir além da punição. Para ela, é fundamental investir em conscientização e em ações voltadas à saúde mental dos agressores.

“Precisamos construir uma nova geração, com outro pensamento. A mulher tem o direito de decidir sobre a própria vida, inclusive de recomeçar. Ela não é um objeto”, afirmou.

Na mesma linha, a deputada Lia Nogueira (PSDB) reforçou que o enfrentamento à violência exige mais do que uma rede de proteção já estabelecida. Segundo ela, é necessário ampliar políticas públicas e investir em educação como ferramenta de transformação social.

“Precisamos falar sobre isso constantemente. Levar informação, trabalhar com nossas crianças, formar uma nova mentalidade. Sem isso, o problema persiste”, pontuou.

Casos recentes reforçam alerta

Entre os episódios que motivaram o debate, está o assassinato da servidora pública Vera Lucia da Silva, em Eldorado, morta pelo ex-companheiro na frente da filha. Após o crime, o autor tirou a própria vida.

Outro caso em investigação como crime de gênero, ocorreu em Campo Grande, onde a arquiteta Ely da Silva Quevedo, de 53 anos, morreu após cair de uma caminhonete durante uma discussão com o marido.

Também na Capital, um subtenente aposentado da Polícia Militar atirou contra a esposa, que conseguiu fugir. Em seguida, ele tentou tirar a própria vida e permanece internado.

Os episódios, ocorridos em sequência, evidenciam a urgência de ações mais efetivas para conter a violência de gênero no Estado.

Rede de apoio e canais de denúncia

Autoridades reforçam a importância de denunciar casos de violência. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Também é possível buscar ajuda pelo Disque 180, canal nacional de atendimento à mulher.

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas. No interior, as Delegacias da Mulher também atuam no acolhimento e encaminhamento das vítimas.

Tags: Feminicídio, Mulheres, Violência,