Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Deputado Pedro Kemp usou a tribuna para falar sobre o assunto, dando início ao debate
Michelly Perez - 04/11/2025 • 12:00
Foto: Luciana Nassar
O massacre nas favelas do Rio de Janeiro, que deixou mais de 100 mortos na semana passada durante uma operação policial nos Complexos da Penha e do Alemão, ecoou até o plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
O tema, levantado pelo deputado Pedro Kemp (PT) nesta terça-feira (4), acendeu um debate acalorado sobre o limite entre segurança e barbárie — e o que o Estado realmente chama de “combate ao crime”.
“Precisamos ir além do discurso de que bandido bom é bandido morto. Resolveu o problema do crime? Não. Os chefões continuam nas mansões, tomando uísque”, afirmou Kemp, criticando o que chamou de “operação midiática”. Ele comparou a ação no Rio à investigação de R$ 40 bilhões em desvios na Avenida Faria Lima, em São Paulo. “Lá não teve tiro, nem morte. A diferença é o CEP do criminoso.”
Do outro lado, o deputado Coronel David (PL) defendeu a ação e rebateu as críticas com dureza. “A esquerda gosta é de bandido. O morro é um ambiente hostil, com facções fortemente armadas. A operação foi acompanhada pela Justiça, e a maioria da população apoiou. Ou fazemos operações assim ou perdemos para o crime organizado”, disse. Para ele, comparar as favelas à Faria Lima é “tratar segurança como conversa de esquina”.
O clima esquentou ainda mais com a reação de Zeca do PT, ex-governador do Estado, que chamou o discurso de David de “patético e vergonhoso”. “É a velha história: bandido bom é o morto — mas só se for negro e pobre. Quando é rico, pedem anistia”, disparou.
Ele ainda afirmou que vai pedir investigação sobre os gastos do governador Eduardo Riedel (PSDB) para participar da reunião dos sete governadores que formaram o ‘Consórcio da Paz’, após a operação.
A deputada Gleice Jane (PT) reforçou a crítica, cobrando debate público sobre o modelo de segurança adotado.
“Operação não pode ser vingança. Quem morre nessas ações é o pobre, o morador da favela. Segurança pública tem que defender a vida — e o direito à vida é o primeiro artigo da Constituição”, pontuou.
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