Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Sem dispositivo, diabéticos ficam às cegas sem saber se o açúcar no sangue está controlado
Michelly Perez - 02/03/2026 • 10:33
Foto: divulgação
Quem convive com o diabetes em Campo Grande está enfrentando um inimigo invisível, mas perigoso: a falta de fitas para medir a glicemia nos postos de saúde. O alerta, que corre os corredores das UPAs e unidades básicas, ganhou voz oficial na Câmara Municipal através do vereador Dr. Lívio, que denunciou o desabastecimento que pode levar pacientes a internações graves e até ao coma.
Para quem depende do SUS, a fitinha não é um luxo, é o “painel de controle” do corpo. Sem ela, o paciente não sabe se precisa de mais insulina ou se está em risco de uma hipoglicemia severa.
O desabastecimento gera um efeito cascata que sobrecarrega ainda mais os hospitais da Capital. De acordo com o alerta do vereador, que também é médico:
Sem monitoramento: O paciente “chuta” a dose de remédio, o que pode causar desmaios ou convulsões.
Complicações a longo prazo: A falta de controle constante acelera problemas de visão, renais e circulatórios.
Custo para a cidade: Um paciente que não mede a glicose hoje pode ser o paciente que ocupará uma vaga de UTI amanhã, custando muito mais caro para os cofres públicos.
A denúncia levanta um questionamento urgente sobre a gestão da saúde na Capital. Onde está o travamento? É falta de licitação, falta de pagamento aos fornecedores ou falha na distribuição? Enquanto a burocracia não se resolve, as prateleiras das farmácias populares seguem vazias de um item que custa centavos para o Estado, mas vale a vida para o cidadão.
Nas redes sociais e nos postos, o clima é de revolta. Mães de crianças diabéticas e idosos relatam que estão tendo que escolher entre comprar a comida ou as fitas na farmácia particular, já que o kit completo de monitoramento pode custar caro no fim do mês.