Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Enquanto a Mesa Diretora prioriza o debate técnico, parlamentares da base e oposição criticam o adiamento e a retirada da pauta
Michelly Perez - 04/02/2026 • 08:35
Foto: Izaias Medeiros
O que deveria ter sido uma votação decisiva na retomada dos trabalhos legislativos transformou-se em um palco de divergências na Câmara Municipal de Campo Grande. A retirada de pauta do veto ao Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26 — que prevê o retorno do desconto de 20% no IPTU e mudanças na polêmica taxa de lixo — dividiu os vereadores nesta terça-feira (3).
A decisão de adiar a votação para o dia 10 de fevereiro, sob a justificativa de realizar uma audiência pública na quinta-feira (5), gerou um clima de frustração no plenário.
A manobra da Mesa Diretora não agradou a todos. O vereador Ronilço Guerreiro foi um dos que manifestou publicamente sua insatisfação. Segundo ele, a expectativa da população era de que o “martelo fosse batido” imediatamente.
“Saí constrangido e chateado. Eu queria votar, até porque ando nas feiras e esse é um apelo popular. A população é cobrada por uma taxa de lixo nova, mas a cidade continua cheia de buracos e com falta de tudo”, criticou Guerreiro, que já antecipou seu voto pela derrubada do veto.
No mesmo tom, o vereador Rafael Tavares utilizou as redes sociais para desabafar sobre o adiamento.
“Me manifestei contra o adiamento. Toda a sociedade aguardava a volta do recesso para a derrubada imediata desse veto. Perdemos a batalha, mas não a guerra. Não vamos desistir”, disparou o parlamentar.
Por outro lado, o presidente da Casa de Leis, vereador Papy, defende que o debate é necessário para dar segurança jurídica ao contribuinte. A audiência, proposta pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), pretende colocar frente a frente secretários municipais e entidades civis.
“As instituições estão trabalhando para chegar no melhor consenso possível, para que o contribuinte tenha segurança para pagar seus impostos, sem essa incerteza de quanto é ou se vai baixar”, explicou Papy. Para a Mesa Diretora, a complexidade técnica do impacto financeiro exige que a sociedade seja ouvida antes da decisão final.
A indefinição sobre os tributos tem gerado um “efeito dominó” nas finanças do município. Com a população aguardando uma possível queda nos valores ou o retorno dos descontos, a arrecadação tem sofrido atrasos, o que, segundo o presidente da Câmara, causa problemas de ordem financeira para Campo Grande.
A audiência pública está marcada para esta quinta-feira (5), às 18h, e promete ser um termômetro para a votação definitiva, agora agendada para a próxima terça-feira (10).
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