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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Prefeitura cria comissão e adia solução concreta para assistentes de educação infantil

Grupo surge como resposta às cobranças da categoria, mas deixa salário e concurso ainda no campo das promessas

Michelly Perez - 17/03/2026 • 08:39

Foto: Pedro Roque

Depois de meses de mobilização, reuniões e até ameaça de paralisação, as assistentes de educação infantil de Campo Grande “arrancaram” da Prefeitura a criação de uma comissão para discutir o futuro da categoria. A medida, oficializada ontem (16) no Diário Oficial, é vista como avanço — mas também escancara a demora do poder público em apresentar respostas.

A resolução institui um Grupo de Trabalho Intersetorial, responsável por analisar demandas antigas, como reajuste salarial, definição de atribuições e a construção de um edital de concurso público. O documento foi assinado pelo secretário municipal de Educação, Lucas Henrique Bittencourt.

Apesar do tom institucional e da promessa de organização, na prática, a comissão chega tardiamente para uma categoria que há anos denuncia sobrecarga, desvio de função e baixos salários.

Avanço ou adiamento?

A criação do grupo marca a primeira vez, em anos, que a pauta das assistentes ganha uma estrutura formal dentro da administração municipal. Ainda assim, o movimento levanta críticas: ao invés de apresentar soluções imediatas, o Executivo opta por abrir mais uma etapa de estudos.

Na avaliação de profissionais da área, a comissão pode se tornar apenas mais um espaço burocrático, caso não haja prazos claros e compromisso político com resultados concretos.

O vereador Landmark Rios (PT), que atuou como articulador das negociações, defendeu a medida como um ponto de partida. Segundo ele, a comissão cria um canal oficial para tratar do salário e das condições de trabalho. Ainda assim, o próprio histórico da categoria mostra que promessas semelhantes já foram feitas sem sair do papel.

“Agora a luta pelo salário digno tem mesa, tem interlocutores, tem estrutura oficial. O que essas mulheres fazem nas escolas de Campo Grande vale muito mais do que recebem, e essa comissão existe para provar isso em números e em proposta concreta”, declarou Landmark Rios.

Problemas antigos

Entre as principais funções do grupo está mapear quantas profissionais são necessárias na rede, revisar atribuições e enfrentar um problema recorrente: o desvio de função. Há anos, assistentes relatam serem deslocadas para atividades de limpeza e cozinha, distantes do papel pedagógico.

Além disso, a comissão deverá discutir o ponto mais sensível da pauta: a remuneração. Hoje, o salário é considerado defasado pela categoria, que reivindica valorização compatível com a responsabilidade de cuidar de crianças na rede pública.

Pressão que veio da base

A instalação do grupo só aconteceu após forte mobilização iniciada em assembleias organizadas pela categoria e intensificada ao longo de fevereiro. A pressão incluiu audiências públicas, negociação direta com a Prefeitura e até a possibilidade de paralisação.

Para a presidente sindical Natali Pereira de Oliveira, a publicação representa uma conquista — ainda que parcial.

“Hoje ter saído do papel é uma vitória, porque agora a gente vai poder ficar brigando pelo aumento salarial que a categoria tanto almeja, por condições melhores de trabalho, e pelo menos poder fiscalizar situações de perseguição, abuso de poder e assédio que acontecem com a categoria dentro de algumas escolas”, afirmou a sindicalista.

E agora?

Com representantes de várias secretarias e também da categoria, a comissão terá a missão de produzir estudos e propostas. No papel, a iniciativa aponta para avanços na organização da educação infantil.

Na prática, porém, o que se vê até agora é que, após meses de cobrança, o resultado concreto ainda é a criação de um grupo para discutir problemas que já são conhecidos há anos.

Para as assistentes, a expectativa é que o debate não se arraste indefinidamente — e que a comissão não se torne apenas mais um capítulo de promessas sem resultado.

Tags: Assistentes, educação, politica,