Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Comodatos, favelas e muita história boa marcaram o trabalho e a trajetória político que ficou conhecido como o "advogado das favelas".
Juliana Brum - 22/10/2023 • 06:00
Novos nomes da política aparecem de quatro em quatro anos, alguns agora de oito em oito, porém nomes consolidados da velha guarda permanecem firmes nos bastidores por terem sido os desbravadores de ações e movimentos importantes da política no Estado.
A revista A Foto esteve com exclusividade, na casa de ex-parlamentar Antônio Braga 80 anos, advogado. Mora em uma casa aconchegante com sua esposa e seus cachorros: Raica, Dingo e o Pisquila. Nome forte no Estado que dentre suas bandeiras levantou ” o comunitário raiz”. Foi vereador por 4 mandatos, presidente da Casa de Leis (Câmara municipal), deputado estadual e também secretário de Segurança e Justiça do estado de Mato Grosso do Sul.
Braga como é conhecido, em todo o Estado, está fora das eleições, sim, mas não fora do jogo. Segundo ele, até hoje seus eleitores fiéis o procuram para decidir qual rumo tomar devido sua influência, é profundo conhecedor dos bastidores de como funciona a política, ele mantém contatos no meio e acaba aconselhando principiantes.
Iniciou de forma inesperada na política. Quando menos esperava, recebeu um convite para ser vereador, algo que o pegou de surpresa, afinal ele não tinha pretensão alguma e seus caminhos sempre foram no ramo empresarial. “No começo foi uma identidade que eu não aceitei por ser um advogado de grandes bancos, eu assinava os empréstimos do BHN e após um convite do Albino mesmo eu afirmando não saber “mexer” com política, voltei para negar mas já haviam mandado o meu nome para a urna e fui eleito.”, contou.
Relutante com a posição, no primeiro momento não teve o apoio da família, porém depois entenderam que o seu trabalho como um desbravador naquele momento era fundamental para o estado, pois sua influência no comunitário era forte poderia dar certo. Resolveu então se dedicar exclusivamente. “Comecei e na primeira pesquisa feita enquanto eu estava vereador eu iria perder na corrida eleitoral do próximo ano afinal eu também ainda advogava junto, quando li a pesquisa imediatamente resolvi virar o jogo e me aliei com quem me elegeu, o povo das comunidades e assim seguimos um intenso caminho com conquistas aos menos favorecidos.”, lembrou Braga.

“O Nova Lima era barra pesada e ninguém podia entrar lá sem autorização, decidi subir e ouvir o povo, somente eu e um assessor, eu quebrei a barreira entre comunidade e legislativo, levamos luz e água onde se dizia impossível, nos grandes espaços onde só tinha mato, tinha alimento para matar a fome, em uma época que a bandeira da agricultura familiar ainda era algo bem distante”, exclama orgulhoso.
Ações comunitárias sempre foram o seu forte, ele é um dos idealizadores do grupo que deu voz aos moradores de comunidades, na época chamados de favelados, como a UCAF (União Campo Grandense de moradores das Favelas), CRF, FAFEMS e CONAM, todos movimentos comunitários, sua formação academica em Direito proporcionou a missão de ser o “advogado das Favelas”, dando assim mais força a causa. Essa aproximação com o que de fato os moradores precisavam, o fizeram se firmar na política.
“Uma vez, após o comunicado de uma ordem de despejo em uma área aqui da capital, agora não me recordo onde. O representante do grupo que estava com a ordem de despejo me procurou, e eu, mais que depressa lotei um ônibus com o máximo de pessoas da comunidade e fomos até o fórum que na ocasião, era ainda na avenida Fernando Corrêa da Costa. Na hora de entrar um segurança barrou um homem que estava sem camisa, na hota dei meu terno a ele. O juiz ao se deparar com a confusão prorrogou a ação e ganhamos tempo para a regularização, mas eu perdi meu terno.” Disse nostalgicamente.
Já como vereador. Braga esteve lado a lado do prefeito Lúdio Coelho, quem criou o processo do desfavelamento e fixaram na Capital os “comodados”. Também trabalhou com Juvêncio da Fonseca em 1987/1989.
O “comodato” de terras, Braga gerenciou muitos deles. Terrenos “cedidos”, pela Prefeitura com a condição de que houvesse zelo e que se tornasse um espço produtivo para moradores de baixa renda, hoje conhecido como incubadoras.
“Quem trouxe o Carlão para política foi eu. Hoje o vereador Carlão é um peça dessa história,mas ele nasceu no movimento quando tudo começou com o pai dele, finado “Corixo” juntamente com “Chico Capeta” e outros nomes líderes das favelas. Todos eram de dentro da minha casa e vi estes movimentos nascerem. Logo depois o Carlão começou a trabalhar comigo e quando fui para assembleia ele foi eleito a vereador e deu sequência ao trabalho”, detalhou.
Quando foi vereador, Antônio Braga foi presidente da Câmara por 16 anos, quatro mandatos. Neste período, ele deu início aos moradores de bairros, organizando estes grupos que participaram do processo de desfavelação na Capital.
Ao sair da Câmara, foi para a assembleia e abriu a cadeira para que outro ‘favelado’ (fala com carinho referindo-se ao então atual presidente da câmara municipal, Carlão) assumisse o comunitário. Conta que recentemente foi visitado por um jovem político que estava ingressado na Casa de Leis e pediu orientações. “Quer entrar, sugiro que faça como eu fiz, compre uma combi e sirva de fato a comunidade. A minha combi estava escrito “Braga a serviço da Comunidade” ela não saia da Capital, mas atendia de fato as necessidades da comunidade. E hoje o comunitário quase foi esquecido”, detalhou contato que atendia para levar nos postos médicos, velório e o que mais precisasse ser feito.
Questionado sobre a política, Braga afirma ser uma missão de proporcionar o melhor para a população e foi além falando sobre sua visão atual, os rumos de hoje. “Releeição não deveria existir, as pessoas precisam ter uma identidade dentro da comunidade. E hoje a política tomou outros rumos e ficamos decepcionados. Estamos vivendo que tipo de política? O processo perdeu o rumo e o sentido. “, defendeu. Falou também sobre o papel da política e crê até hoje no poder do Educar. “Você pode através de um conceito de trabalho e o Poder Público desenvolver, educar. É impossível não aprender nada. Antes ela era de fato para fazer o bem e elevar a população e as cidades.”, concluiu com propriedade.
Tags: antoniobraga, candidato, excandidato, politica,