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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

“Tiago Vargas já pode procurar emprego na FUNSAT”, dizem artistas

Vereador luta para reverter decisão sobre cargo na Polícia Civil e se manter na Câmara

Marcos Maluf - 04/10/2024 • 09:48

Foto: Reprodução-internet

Esta semana, artistas da Capital não viram o mundo girar, como dizem por aí, ele capotou! Tiago Vargas (PP) usou a Câmara Municipal para protestar e desabafar da mesma forma que em dezembro de 2023, profissionais da arte também fizeram. Nas duas situações, o protesto, resumindo em poucas palavras, era em prol da verba do “pão de cada dia” e quem tem a memória boa vai lembrar que Vargas fez uma carteira de trabalho de escudo e partiu para cima do pessoal dizendo para eles arrumarem um emprego.

 

‘Como pau que bate em Chico, também bate em Francisco’, vale recordar que, mais precisamente no dia 14 de dezembro de 2023, durante sessão na câmara dos vereadores, ativistas culturais protestavam a favor de incentivos financeiros, quando durante fala no plenário, Vargas relembrou que, em 2015, na gestão Dilma Rousseff, foi negado o repasse de 1% do orçamento para o setor cultural. Ele contou que nenhum ativista cultural reclamou disso pela então presidente ser do PT e esse ser, supostamente, o partido dos militantes.

As imagens da época mostram Tiago se aproximando dos manifestantes, exibindo uma carteira de trabalho e dizendo que na FUNSAT (Fundação Social do Trabalho) existiam 1800 vagas de emprego e que eles deveriam buscar uma dessas oportunidades. Voltando a parafrasear o ditado popular, de “aqui se faz, aqui se paga”, ninguém sabe, mas artistas se pronunciaram.

O que opinam os artistas?

O artista Tero Queiroz mostrou para a Revista A Foto a sua indignação e explicou que a cena vista na Câmara, além de uma falta de respeito com a categoria, demonstra a falta de conhecimento sobre a luta dos artistas do Estado.

“Artista é trabalhador, não fica dependendo do Estado para fazer dancinha na internet. Não temos carteira assinada, mas temos um trabalho digno, não existe CLT para artista, o artista é contratado por contrato. Ele não daria conta, não banca um trampo de CLT, não aguenta meio dia de trabalho sério”, disse.

Quem também desaprovou a fala do vereador foi a artista e produtora cultural Fernanda Kunzzler. Ela reforça que Vargas deveria conhecer o impacto da cultura na diminuição da marginalidade e os avanços no desenvolvimento de uma consciência crítica.

“A fala do Tiago Vargas deu a entender que os trabalhadores e trabalhadoras da área da cultura são pessoas que não trabalham. É no mínimo um despreparo da parte dele em entender que dentro de uma sociedade existe uma gama de atividades que somam e fortalecem a economia. Eu não entendo como ele foi eleito, e espero que ele não seja reeleito para que aí, sim, ele tenha que ir à fila da Funsat para ver se tem competência em exercer algum outro trabalho”, conta.

Por sua vez, o artista Anderson Lima confirma que a cultura representa mais de 3% do PIB e movimenta em torno de R$ 240 bilhões. Ele reforça que o candidato é quem deveria procurar uma vaga de emprego.

“Pessoas com pouco estudo ou formação ruim, com pouca leitura, crescem ignorantes e normalmente são elas que não conseguem entender o poder da arte, da cultura, nem as enxergam como profissão, coisa que não acontece nos países de primeiro mundo. O Tiago é uma pessoa que representa bem as pessoas que não tiveram a oportunidade de ter uma boa educação e cresceram ignorantes. E que agora precisa colocar a Carteira de Trabalho embaixo do braço e correr as portas do comércio em busca de emprego”, opina.

Thalya Veron, artista visual, tatuadora e grafiteira, acredita que vendo as imagens do candidato à reeleição na Câmara, ela tem a certeza de que quem precisa de ajuda, hoje, é ele.

“Fomos tratados como chacota, aqui se faz, aqui se paga, hoje quem precisa de um emprego é ele. Nós, agentes da cultura, sempre estamos trabalhando, não é porque fomos em um manifesto pacífico que não temos nada para fazer, fomos lutar pelos nossos direitos”, finaliza.

 

 

Tags: camara, politica, Tiago Vargas,