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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Trabalho análogo à escravidão: em MS, família de candidato tem fazenda investigada

Contratantes alegam que forneciam alojamento e trabalhadores apontam para falta de estrutura

Marcos Maluf - 09/09/2024 • 10:50

Fotos: Reprodução- Rede social

Sete trabalhadores foram encontrados por  equipes do Ministério do Trabalho, em condições análogas a escravidão.

O episódio aconteceu em uma fazenda em Bela Vista à 307 quilômetros da Capital. A propriedade pertence a familiares do candidato à prefeitura de Itaporã,Thiago Carbonaro (PP), eles negam as acusações.

A propriedade vistoriada pelo Ministério Público pertence a Aristeu Alceu Carbonaro e Alvaro José Carbonaro, tio e pai do candidato.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), as equipes foram até o local e constataram que os funcionários estavam em barracos de lona e dormiam em camas improvisadas e redes.

Segundo MP local não tinha água de qualidade para os trabalhadores- Foto: Reprodução/ processo judicial

Além disso, os trabalhadores nem se quer contavam com local adequado para tomar banho e fazer suas necessidades. “o empregador não fornecia banheiros, os trabalhadores informaram que faziam suas necessidades no mato”.

Se não bastassem as condições de trabalho, os funcionários também eram submetidos a extensas jornadas que começavam às 5h até às 17h, com apenas intervalo para almoço.

“sem alimentação fornecida pelo contratante, eles tinham jornada  além do previsto em Lei”, enfatiza Alexandre Aparizi.

Uma das vítimas informou que trabalhou por oito meses na construção e teria sido informado pelo gerente, Edilson Pereira das Graças, que deveriam ‘se virar’ com a hospedagem já que o local estava cheio.

Local de hospedagem era improvisado. Foto: Reprodução/ processo judicial

Sem alternativas tiveram de construir barracos de lona. A água deixada em uma caixa d’água, sem tampa era a única opção.

Com medo alguns trabalhadores optavam por pegar água do córrego, o que muitas vezes gerava doenças e até mesmo viroses entre os trabalhadores.

Estrutura

Questionado, Edilson negou as acusações e explicou que a fazenda continha local apropriado para os funcionários e fornecia o valor necessário para a compra de alimentos que era descontado do salário, mas pela sede estar distante da área de trabalho, os funcionários teriam recusado.

Além disso, indicou que a água era tratada e que tem origem em um poço que abastecia a toda a fazenda.

Por sua vez, Alvaro Carbonaro, pai do candidato Tiago, indicou que os trabalhadores foram contratados pelo irmão, Aristeu e o gerente da fazenda. Disse que a informação que obteve é  de que os trabalhadores teriam recusado o abrigo.

Também sobre o caso, Aristeu explicou que a fazenda oferece todas as condições necessárias para os funcionários e bebedouro para que se hidratem. Também afirmou que houve a recusa por parte dos trabalhadores, já que fazenda forneceu alojamentos adequados e que está todos os dias no local, não constatando as situações narradas pelos funcionários.

A denúncia foi levada à Justiça Federal, que aceitou o pedido contra Edilson, Alvaro e Aristeu em julho deste ano.

Desmatamento

Está não é a primeira vez que a fazenda é envolvida em uma polêmica. Os proprietários  são investigados por suposto desmatamento de 122,58 hectares de área de Preservação Permanente.

Para a promotora Nara Mendes dos Santos Fernandes, eles negaram a ação, mas não apresentaram resolutiva e podem transformar o processo em uma ação civil pública. A determinação foi assinada em 23 de julho de 2024.

A reportagem questionou o candidato Tiago Carbonaro mas não obteve retorno. O espaço segue disponível.

 

Tags: condições, investigação, trabalho,