Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Audiência pública discute o futuro da Malha Oeste e a importância da ferrovia para o escoamento da produção
Michelly Perez - 15/08/2025 • 12:12
Foto: Izaias-Medeiros
A Câmara Municipal de Campo Grande está de olho no futuro do estado, e ele tem cheiro de ferro e trilhos. Em uma audiência pública na manhã de hoje (15), vereadores, especialistas, ministros e deputados discutiram a reativação da ferrovia Malha Oeste, um projeto que pode ser a chave para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
A vereadora Luiza Ribeiro, que propôs o debate, acredita que a audiência é um ponto de partida importante, especialmente depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) deu um “empurrãozinho” e permitiu a relicitação da ferrovia. “A decisão veio favorável ao nosso pensamento, que é de fazer a reativação imediatamente”, afirmou.
A Malha Oeste é uma ferrovia de quase 2 mil quilômetros que conecta o estado de São Paulo à cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Atualmente, apenas um pequeno trecho está em operação, e o restante está abandonado e depreciado. Mas, para os especialistas, a reativação é um passo estratégico.
O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, defendeu a reativação da ferrovia como uma forma de conectar o Brasil a novos mercados, principalmente os asiáticos, por meio da Rota Bioceânica. “Temos que mobilizar todas as câmaras, ferroviários, cidadãos e mostrar a necessidade dessa integração”, disse.
O deputado federal Vander Loubet também destacou a importância de o investimento ser feito em toda a ferrovia, e não apenas em trechos isolados. “Esse é o maior erro, se deixarmos acontecer. Temos que discutir o todo”, pontuou.
Apesar do alto custo para a reestruturação, os especialistas alertam: a ferrovia parada custa mais caro. José Augusto Valente, ex-secretário de Política Nacional de Transportes, resumiu a situação: “Esse ativo está jogado às traças. Não tem utilidade e, por não estar sendo utilizado, tem um custo elevado”.
Para ele, os prejuízos vão desde o frete alto até a poluição e os acidentes. A reativação da Malha Oeste, portanto, não é apenas um projeto logístico, mas uma forma de impulsionar a economia, fortalecer a segurança e diminuir o prejuízo social.
O governo do estado já demonstrou apoio à iniciativa e acredita que a ferrovia é essencial para o desenvolvimento, principalmente com o crescimento de grandes fábricas de celulose na região.