Em um discurso marcado por críticas às guerras e apelos por negociações diplomáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, que o mundo precisa trocar conflitos armados por diálogo entre as grandes potências globais. A declaração foi dada após reunião bilateral com Donald Trump na Casa Branca.
Durante a coletiva de imprensa, Lula relatou ter sugerido aos líderes das principais potências mundiais uma reunião informal para discutir soluções para os conflitos internacionais.
“Um litro de uísque, um vinho, um queijo, um joelho de porco, qualquer coisa. E faz uma reunião e discute”, disse o presidente ao defender conversas entre Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
O encontro entre Lula e Trump durou cerca de três horas e abordou temas como guerras internacionais, reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), minerais estratégicos, investimentos norte-americanos no Brasil e até a situação de Cuba.
Mais diálogo e menos guerra
Ao comentar os conflitos envolvendo Rússia e Ucrânia, além das tensões no Oriente Médio, Lula reforçou o posicionamento contrário às guerras e afirmou acreditar “muito mais no diálogo do que na guerra”.
“Eu não tenho vocação belicista. A minha vocação é de diálogo”, declarou.
O presidente brasileiro também voltou a defender mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que países como Brasil, Índia, Alemanha, Japão e nações africanas deveriam ocupar espaço permanente nas decisões globais.
Segundo Lula, a atual configuração da ONU concentra poder em poucos países e dificulta soluções efetivas para crises internacionais.
Parcerias econômicas
Além da pauta diplomática, o presidente comentou o interesse dos Estados Unidos em ampliar investimentos no Brasil, principalmente em setores ligados à transição energética e instalação de datacenters.
Lula afirmou que o Brasil aceita parcerias internacionais, mas quer garantir soberania sobre seus recursos naturais e evitar repetir erros históricos ligados à exportação de riquezas sem industrialização interna.
“O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, afirmou ao citar minerais críticos e terras raras.
Eleições 2026
Questionado sobre possíveis interferências internacionais nas eleições brasileiras, Lula minimizou a hipótese e afirmou que o processo eleitoral será decidido exclusivamente pelos brasileiros.
“Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro”, disse.
Ao final da entrevista, o presidente voltou a defender o fortalecimento da diplomacia internacional e afirmou que o planeta atravessa um momento em que a paz precisa ser prioridade global.
“O mundo está precisando de paz. E é isso que nós precisamos construir”, concluiu.