Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Landmark Rios aponta falhas na aplicação de recursos e falta de adesão a programas federais
Michelly Perez - 12/09/2025 • 10:38
Foto: Pedro Roque
O vereador Landmark Rios (PT) voltou a exigir maior transparência da Prefeitura de Campo Grande na gestão dos recursos da saúde pública. Ele refutou a justificativa de que a tabela do SUS seria a principal causa da crise no setor, apresentando um cenário de incoerência e desperdício de verbas públicas.
Segundo o parlamentar, a alegação de que a tabela do SUS impacta negativamente a saúde não procede, pois nenhum hospital em Campo Grande opera exclusivamente com base nela. Os pagamentos são realizados por contratualização de leitos, somados a recursos extras do teto de Média e Alta Complexidade.
Isso significa que, além do valor por procedimento, há um pagamento fixo por pacotes de leitos, mesmo que estes não estejam totalmente ocupados.
“O problema é que esses leitos nem sempre estão cheios”, explicou Rios durante a sessão na Câmara Municipal. Ele destacou que as instituições recebem por pacotes de leitos, mas muitas vezes oferecem um número menor de ocupação do que o contratado.
Outro ponto crítico levantado pelo vereador é a baixa adesão da gestão municipal a programas federais que poderiam aliviar a sobrecarga do sistema de saúde. Rios citou o Programa Nacional de Redução de Filas e o Agora Tem Especialistas, que pagam valores superiores à tabela SUS, mas que tiveram pouca aderência em Campo Grande.
“Isso é um desperdício de oportunidades de trazer mais recursos e atendimento para a população”, ressaltou o parlamentar, que questiona por que a cidade abriu mão de programas que poderiam ampliar em até três vezes os repasses.
Landmark Rios também denunciou que a Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) não formaliza a ampliação de contratualização para instituições que comprovam produção acima do contratado, optando por termos aditivos temporários. Essa prática, segundo ele, gera insegurança financeira, dificulta o planejamento e impede o aumento da capacidade de atendimento.
O vereador defende a abertura da “caixa-preta da saúde” para apurar irregularidades. Ele questiona quem ocupa os leitos ociosos, por que a SESAU não formaliza a produção extra e por que a prefeitura abriu mão de programas federais.
Em fiscalizações recentes, o vereador constatou a falta de medicamentos e equipamentos em diversas unidades de saúde, como na UBS da Vila Carlota, USF do Tiradentes e USF Estrela Dalva. Ele também apontou a estrutura precária em unidades como o Centro de Especialidades Médicas (CEM) e relatou a escassez de médicos e a dificuldade para renovar receitas de pacientes crônicos na UBSF do Jardim Tarumã.
O vereador ainda aponta para a falta de transparência em relação a um possível desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde, lembrando que só em 2025, mais de R$ 486 milhões foram enviados pelo governo federal para Campo Grande, além de outros repasses, sem que a população veja melhorias concretas.