Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Sob pressão popular e gritos de “vergonha”, punição foi considerada branda por manifestantes
Michelly Perez - 24/02/2026 • 08:20
Foto: reprodução- Folha MS
A Câmara Municipal de Corumbá aprovou por unanimidade a suspensão por 45 dias do vereador Elio Moreira Júnior, após a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar concluir apuração sobre agressão e dano contra um vendedor ambulante.
O episódio, que em dezembro foi noticiado pela Revista A Foto, gerou forte repercussão nas redes sociais e pressionou o Legislativo municipal a adotar providências.
A penalidade seguiu integralmente o parecer da comissão. A votação nominal ocorreu durante a sessão desta segunda-feira (23), acompanhada por plenário lotado. O parlamentar não esteve presente, alegando problemas de saúde.
A votação foi marcada por grande mobilização popular. Moradores compareceram com cartazes e reagiram com indignação, considerando a punição branda.
O ambulante envolvido no caso acompanhou a sessão e criticou o resultado.
“Hoje temos certeza que os vereadores podem fazer o que quiser com o cidadão e vai encontrar respaldo dos colegas. O trabalhador é quem tem que tomar cuidado”, declarou.
Ao fim da sessão, manifestantes gritaram “vergonha” dentro do plenário.
O episódio ocorreu em 27 de dezembro de 2025, na região central de Corumbá. Vídeos que circularam nas redes mostram discussão entre o vereador e o trabalhador, com troca de ofensas e a quebra do isopor usado na venda de alimentos.
A ocorrência foi registrada na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que concluiu o inquérito e indiciou o parlamentar por injúria, ameaça e dano. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul e ao Judiciário.
Paralelamente, a Câmara abriu processo interno por quebra de decoro, ouvindo testemunhas e analisando provas antes de submeter o relatório ao plenário.
A decisão ocorre em meio a forte pressão popular. Um abaixo-assinado virtual pedindo a cassação do mandato ultrapassou duas mil assinaturas — número superior aos 1.135 votos obtidos pelo vereador na última eleição.
Mesmo com a mobilização e o indiciamento criminal, a maioria dos parlamentares optou pela suspensão temporária, encerrando a apuração administrativa no âmbito da Câmara. Na esfera judicial, o caso continua sob análise.
Em dezembro, após a viralização das imagens, Elinho Junior publicou vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas pelo episódio.
O parlamentar confirmou a autoria da agressão e afirmou que o comportamento teria sido um fato isolado, motivado por questões emocionais momentâneas após desentendimento sobre o uso do espaço público na calçada de seu comércio.
O caso segue sendo acompanhado por órgãos de fiscalização e pela opinião pública local. (com informações Folha MS)