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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Vereadores cortam “adrenalina” do hospital municipal em audiência pública

Câmara pede um olhar mais maduro e centrado no projeto que significa uma projeção de saúde para várias gerações

Michelly Perez - 16/08/2024 • 14:20

Audiência Pública Hospital Municipal/Foto: Revista A Foto

Em um debate acalorado onde a única opinião em comum era de que a Capital precisa de um hospital municipal, vereadores e especialistas discutiram sobre o pedido de liberação de R$268 milhões, feito pela prefeitura de Campo Grande.

Encabeçando o lado que defende a liberação de tal valor está a atual secretária de saúde do município, Rosana Leite, que abriu sua defesa explicando o quão benéfico o hospital seria para a Campo Grande.

“Esse modelo, ‘Construir para servir’ está muito utilizado no judiciário. Debruçamos no mínimo três meses com pessoas renomadas e tivemos inúmeras reuniões com a equipe e online. Dentre os benefícios está a personalização completa do novo espaço. Não só Campo Grande mas a maioria dos municípios não passam por uma situação financeira confortável. E apenas em 2026 a prefeita começará a pagar esse equipamento, no término de 20 anos será revestido ao município”, explicou.

Vereador questionou o valor e local da obra

Segundo o vereador André Luis (PRD) existe o medo de se repetir o que aconteceu com o Centro de Belas Artes, que se tornou um “Elefante Branco’ da Capital e até hoje não foi entregue.

“O que nos decepciona é a forma como foi apresentado em outubro do ano passado, como projeto de cunho político. Apesar de falar que o município não paga nada, o que vemos é um projeto de lei que autoriza o poder executivos a contratar operação de crédito de 268 milhões. Se quer de tem uma pedra fundamental, como foi construído um projeto sem antes uma audiência pública”, pontua.

Em sua fala, Rosana Leite voltou a afirmar que o projeto foi muito bem pensado levando em conta critérios de localização e criticou a comparação com os projetos que não foram entregues pelas antigas gestões.  A expectativa é de que sejam investidos R$ 5 milhões no pagamento do aluguel mensal, para uso de 250 leitos e que após 20 anos deverá ser repassado ao município, totalizando mais de R$ 1 bilhão.

“Vai ser construído, não gosto que se fale que eu não vou fazer algo pois tenho um fantasma do passado. BTS é uma modalidade, operação de crédito o TCU, similar a operação de crédito, a estancia pública não vai dispensar esse valor de imediato. Quero que a população fique tranquila quanto a isso”, retrucou.

Rosana Leite pontuou que projeto será entregue

Conforme Ronaldo de Souza Costa, superintendente Estadual do Ministério público no Mato Grosso do Sul lamentou que o município está entregando uma estrutura pública para uma instituição privada.

“Quando eu transfiro a minha responsabilidade eu estou inerente e colocando o lucro dentro do processo.
Campo grande não tem só carência de leitos. Temos que pensar em uma estrutura com capacidade para adequação, já vejo sub dimensionado o número de leitos, não atende a necessidade, fiquei preocupado com a localização. Se fosse pensar hoje eu pensaria na saída para Cuiabá, Nova Lima, então eu acredito que temos que pensar no modelo de construção”, citou.

Por sua vez, o Vereador Airton Araújo (PT), presidente da comissão de obras colocou em xeque a gestão e criticou a rapidez com que o município tem apresentado o projeto.

“Estou indicando o porquê tão rápido, tão tipo parteira, a gestão pública precisa de gestão, estamos falando de 260 leitos na construção do hospital. Mas o que eu acho interessante é transferir a responsabilidade de construção. Nós vamos estar endividando a nossa prefeitura novamente”, comentou.

Em sua fala, a diretora de Gestão Estratégica da SES  (Secretaria Estadual de Saúde), Maria Angélica Benetasso,  destacou que a secretaria em nenhum momento foi informada sobre a construção e nem mesmo questionada sobre o projeto.

“A secretária de Estado nunca foi informada sobre o novo equipamento de Campo grande e não participando de numa discussão nesse sentido. Sabendo que precisamos olhar para o sistema de saúde de forma completa”, pontua.

Vereadora Luiza Ribeiro (PT), o poder executivo ano compareceu aos convites realizados anteriormente pelos vereadores. Destacou ainda que Campo Grande perdeu R$ 5 milhões para construção de CAPs por não cumprir prazos do Ministério da Saúde e que o debate sobre a contratação de crédito é um debate eleitoreiro.

“A construção de unidades tem que ser com recursos públicos, essa invenção de ultima hora nao faz o menor sentido, isso atrapalha a construção, vai na direção contrária ao que está preconizado pelo SUS é uma construção bonita para quem está chegando agora na cidade. A ideia de requerer contratação de credito é esdruxula, qualquer um sabe que não pode dar liberação de recursos agora, estamos perdendo tempo. A gente não tem viabilidade alguma para pedir investimentos, somos alternativa C, não temos saúde financeira para contratar nada”, lamentou.

O investimento previsto na construção é de R$ 210 milhões. O mobiliário, incluindo móveis, equipamentos médicos e hospitalares, terá um custo aproximado de R$ 80 milhões de reais. A manutenção de elevadores, jardim, ar condicionado, segurança, dedetização e outros serviços, denominada “facilite”, terá um gasto aproximado de R$ 20 milhões ano e ficará a cargo da empresa que construir o prédio.

 

Tags: debate, Hospital Municipal, saúde,