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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Vice-prefeita tenta se isentar por aplicação no Banco Master e põe culpa no Banco Central

Mesmo após aval do Comitê do IMPCG, Camilla Nascimento diz que “não há culpados” pela aplicação

Michelly Perez - 28/11/2025 • 12:50

Foto: Izaias Medeiros

Atendendo à convocação da Câmara Municipal, representantes do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) foram pressionados na manhã desta sexta-feira (28) a explicar os prejuízos provocados pela liquidação do Banco Master.

Durante o encontro, chamou atenção o discurso da vice-prefeita Camilla Nascimento — que chefiava o IMPCG no momento em que a aplicação foi feita. Ela afirmou que “não existem culpados” pela escolha do investimento e tentou transferir a responsabilidade à “orientação do Banco Central”, alegando que o banco tinha boa classificação de risco na época.

Apesar da justificativa, a decisão de aplicar os recursos partiu do próprio Comitê de Investimentos do IMPCG, formado por servidores certificados, e ocorreu no dia 4 de abril de 2024, justamente no período de transição em que Camilla deixou o comando do Instituto para disputar as eleições. Ela foi substituída por Elza Pereira, também presente na reunião.

Recuperar R$ 1,4 milhão

O diretor-presidente do IMPCG, Marcos Tabosa, garantiu que o Instituto ingressará na Justiça Federal para tentar recuperar aproximadamente R$ 1,4 milhão, valor que corresponde ao montante aplicado somado aos juros que seriam pagos. Diante da dimensão do prejuízo, a Câmara anunciou a criação de uma Comissão Especial para acompanhar esse caso e todas as demais aplicações financeiras do Instituto.

O presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto, o Papy, informou que os parlamentares já solicitaram toda a documentação que embasou a decisão de investir no Banco Master — inclusive análises de risco e pareceres técnicos. O material deve ser entregue até 10 de dezembro.

“A Câmara vai elaborar e criar nas próximas sessões uma Comissão Especial, composta pelos parlamentares que estão trabalhando nesse tema. Essa Comissão vai acompanhar os desdobramentos daquilo que o IMPCG se comprometeu a realizar”, afirmou.

Medidas judiciais

O Instituto informou que pretende recuperar os valores retendo, mediante autorização judicial, os pagamentos consignados feitos por aposentados que têm empréstimos com o Banco Master — cerca de R$ 500 mil mensais.

Em três meses, o total investido poderia ser recomposto. O IMPCG também deve entrar na fila de credores na liquidação extrajudicial do banco.

Entenda o caso

Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do sistema financeiro.

No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraude na emissão de títulos de crédito, manipulação contábil e gestão temerária.

A intervenção paralisou todas as operações do banco, deixou 515 funcionários sem trabalho e afetou milhões de clientes, incluindo o fundo previdenciário dos servidores municipais.

Tags: Banco Master, Camila Nascimento, IMPG,