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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Vídeo! Adriane Lopes justifica “ano amargo” e projeta futuro ancorado em recursos de Brasília

Sob pressão e baixa popularidade, prefeita admite cortes drásticos na gestão e tenta vender otimismo com promessas de asfalto e vagas nas EMEIs

Michelly Perez - 03/02/2026 • 09:17

Foto: Izaias Medeiros

Em uma tentativa de recuperar fôlego político diante da Câmara Municipal, a prefeita Adriane Lopes utilizou a sessão inaugural de ontem (2) para apresentar sua versão sobre a crise que assola a Capital. O discurso, embora focado em “legado”, foi marcado pela admissão de que 2025 foi um ano de medidas impopulares e pela clara dependência de verbas do Governo Federal para que as obras do município finalmente saiam do papel.

 

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Ao classificar a gestão do último ano como “amarga”, a prefeita referiu-se ao arrocho que atingiu em cheio o funcionalismo público e o custeio da cidade, com cortes de salários e redução de pessoal. No entanto, para os críticos, esse “remédio” não impediu que serviços essenciais, como a saúde e o transporte, entrassem em colapso, levantando o questionamento: onde foi parar o esforço da austeridade se o cidadão continua pagando a conta?

Obras com “assinatura” alheia

Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a ênfase nas parcerias. Enquanto a prefeita afirma que o secretariado está “trabalhando demais”, a realidade dos números mostra que a prefeitura tem tido dificuldades para investir com recursos próprios. Grande parte das “obras do futuro” e dos investimentos anunciados depende diretamente de repasses e convênios federais — o famoso “Pix de Brasília”.

Essa dependência levanta dúvidas sobre a autonomia administrativa da Capital. Afinal, se o governo federal fechar a torneira, as promessas de asfalto para 40 bairros e a manutenção das vias urbanas (o eterno tapa-buraco) correm o risco de se tornarem apenas peças de ficção em relatórios de atividades?.

Promessas antigas para problemas urgentes

A prefeita renovou o compromisso de zerar a fila de espera nas EMEIs, uma promessa recorrente que esbarra na falta de infraestrutura e na precarização da assistência social denunciada pela oposição. Adriane Lopes entregou aos vereadores um relatório de atividades, mas enfrentou o desafio de convencer uma Casa que ouviu, minutos antes, que 80% da população reprova o atual modelo de governo.

Diálogo ou sobrevivência política?

Ao pedir “parceria e construção positiva” aos parlamentares, Adriane sinaliza que sabe do terreno instável em que pisa. Sem maioria absoluta e sob o fogo cruzado de denúncias sobre a taxa de lixo e o IPTU, a prefeita tenta transformar o “trabalho duro” em capital político para os próximos três anos.

O balanço que fica da sessão inaugural é de uma gestão que admite o cansaço, reconhece o sabor amargo das próprias decisões, mas que ainda não conseguiu provar ao campo-grandense que o “muito trabalho” prometido está chegando, de fato, na porta de casa.

Apertem os cintos, caros leitores, porque o ano está só começando.

Tags: gestão, politica, Prefeita,