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Campo Grande - terça-feira, 7 de julho de 2026

Operação Gutenberg desarticula esquema de R$ 27 milhões com compra de livros e suspeita de troca por cirurgias e leitos em MS

Gaeco cumpre 16 mandados de prisão e 43 de busca contra grupo investigado por fraudar licitações, lavar dinheiro e usar influência na saúde pública para favorecer contratos milionários.

Michelly Perez - 07/07/2026 • 09:55

Foto: divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrou na manhã desta terça-feira (7) a Operação Gutenberg para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, corromper servidores públicos e movimentar mais de R$ 27 milhões em contratos para aquisição de livros paradidáticos em municípios sul-mato-grossenses.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além das cidades de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Segundo as investigações, empresários lideravam um esquema estruturado para direcionar contratações públicas por meio da inexigibilidade de licitação. Para isso, contavam com a participação de servidores públicos que, em troca de vantagens indevidas, favoreciam a contratação das empresas investigadas.

De acordo com o MPMS, os contratos firmados pelo grupo ultrapassaram R$ 27 milhões. O dinheiro obtido com as contratações era distribuído entre integrantes da organização, agentes públicos e empresas utilizadas para ocultar a origem dos recursos, caracterizando, em tese, o crime de lavagem de dinheiro.

Saúde pública também era alvo

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a atuação do grupo na área da saúde pública.

Conforme o Gaeco, servidores públicos cooptados utilizavam a influência dentro da rede estadual para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas em hospitais à compra dos livros comercializados pelo grupo criminoso.

A prática, segundo o Ministério Público, fazia parte de uma das frentes de atuação da organização e ampliava o alcance do esquema além das fraudes em licitações.

As investigações apontam ainda que o grupo continuava em atividade e mantinha contratos vigentes em diversos municípios de Mato Grosso do Sul.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados contra a Administração Pública.

A operação contou com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Origem do nome

O nome Operação Gutenberg faz referência a Johannes Gutenberg, inventor responsável pela popularização da impressão de livros. Segundo o Ministério Público, a escolha faz um contraponto ao esquema investigado, já que os livros, tradicionalmente associados à disseminação do conhecimento, teriam sido utilizados para conferir aparência de legalidade às fraudes praticadas pela organização criminosa.

Tags: Gaeco, MPMS, operação,